BIS: sem reformas, recuperação global corre risco

O Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) alertou que a esperada recuperação global pode ter vida curta, caso as reformas estruturais e financeiras necessárias sejam diluídas ou interrompidas. "O caminho de uma recuperação autossustentável é estreito e cheio de riscos", disse o diretor geral da instituição, Jaime Caruana. Após a divulgação do relatório anual da instituição, Caruana disse que os responsáveis pela política têm de perseguir mais rigorosamente esforços para consertar o sistema financeiro, caso contrário "as respostas fiscais e monetárias correm o risco de não conseguirem dar qualquer tração apreciável, provendo apenas alívio no curto prazo".

MARCÍLIO SOUZA, Agencia Estado

29 de junho de 2009 | 10h28

Segundo o BIS, existe um risco no curto prazo de que os governos e os bancos centrais sejam obrigados a abandonar suas políticas expansionistas caso a confiança do investidor sobre as perspectivas econômicas piore, inflando o preço de levantar dívida nova e colocando pressão sobre suas moedas. O BIS alertou que as medidas de estímulo monetário e fiscal são destinadas a atingir um aumento apenas temporário do crescimento, seguido por um longo período de estagnação, a menos que os balanços patrimoniais sejam adequadamente reparados.

Em seu relatório, o BIS, que é uma espécie de banco central dos bancos centrais, lamentou o progresso "limitado" que foi feito para sanar o sistema financeiro, descrevendo isso como "uma causa importante de preocupação". O BIS acrescentou que é extremamente importante que os governos perseverem, mesmo que apareçam sinais de recuperação econômica.

"A experiência dos países nórdicos nos anos 1990 e de outros episódios históricos sugere que uma precondição para uma recuperação sustentável é obrigar o sistema bancário a assumir prejuízos, vender ativos com desempenho ruim, eliminar o excesso de capacidade e reconstruir sua base de capital. Essas condições não estão sendo atendidas", disse o BIS. "Um risco significativo portanto é que o estímulo atual leve apenas a uma aceleração temporária do crescimento, seguida por uma estagnação prolongada".

Os comentários cautelosos do BIS ocorrem num momento em que os investidores reavaliam as perspectivas para a economia global depois de um período de relativo otimismo. Alguns condutores da política econômica têm tentado conter a animação, preocupados com a possibilidade de que isso possa prejudicar a eficácia das medidas que eles estão tomando para sustentar a economia.

Estagnação

O BIS alertou para o risco de que um período longo de estagnação possa minar a ação tomada pelas autoridades monetárias e fiscais das grandes economias. Em caso de economias mais abertas e menores, os bancos centrais podem ter de adotar uma postura mais dura do que teriam tomado com base puramente nas circunstâncias econômicas domésticas, por causa da pressão sobre suas moedas, disse o BIS. "É essencial que os responsáveis pela política fiscal mostrem agora que seus orçamentos são consistentes com a sustentabilidade no longo prazo", destacou.

No médio prazo, a retirada de medidas de estímulo não deverá apresentar dificuldades do ponto de vista técnico, mas a escolha dos prazos corretos será crucial para assegurar que a recuperação não morra na origem e para que não surjam pressões inflacionárias excessivas. Os responsáveis pela política também terão de reconhecer que a correção dos desequilíbrios globais não pode ser indefinidamente adiada, disse o BIS, destacando que o estímulo fiscal excessivo pode ter consequências negativas, como o aumento das taxas de juros reais e a expulsão do investimento privado.

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