Dado Ruvic/ Reuters
Dado Ruvic/ Reuters

Bitcoin cai 57% em seis meses e tem menor preço em quase um ano

A criptomoeda, que se valorizou em um período de juros baixos, enfrenta perda de valor desde novembro

Lucas Agrela, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2022 | 13h31

O bitcoin perdeu 57% do seu valor nos últimos seis meses, após um recorde de valorização em novembro, e ficou abaixo do patamar dos US$ 30 mil por unidade nesta terça-feira, 10. O valor da criptomoeda já é o mais baixo em quase um ano, registrado em julho de 2021.

A criptomoeda se valorizou em um período de juros baixos nos Estados Unidos e agora enfrenta fuga de investidores, que procuram por ativos com menos risco devido às incertezas causadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Outros fatores que afastam investidores são o confinamento na China para conter a covid-19, assim como a adoção de uma política monetária restritiva nos EUA.

El Salvador, um dos países que adotaram o bitcoin como moeda oficial, informou que aproveitou a desvalorização recente para comprar mais unidades da criptomoeda.

Investidores podem comprar frações de um bitcoin, como se fossem centavos, mas que recebem o nome de satoshis. Com isso, corretoras de criptoativos permitem a compra dessas frações a partir de R$ 10 no País. 

De acordo com dados do índice de temor do mercado financeiro chamado Fear Greed Index, usado como métrica por investidores de criptomoeda para comprar na baixa e vender na alta, o nível de medo no mundo é extremo nesta terça-feira. Outra ferramenta utilizada por investidores, o Mayer Multiple, uma média do preço dos últimos 200 dias, está abaixo de 1, algo que aconteceu em apenas 7% do tempo no histórico do bitcoin. 

Críticos

O megainvestidor e CEO da Berkshire Hathaway Warren Buffett expressou seu descontentamento com o bitcoin, questionando seu valor e pouco potencial para substituir o dólar. Segundo Buffett, ele não compraria todo o bitcoin do mundo nem por US$ 25, enquanto compraria 1% de todas as terras agrícolas dos Estados Unidos ou 1% de todos os prédios do país por US$ 25 bilhões, porque acredita que esses ativos possam gerar rendimentos ou produtos. 

Outro crítico do bitcoin é Nassim Taleb, autor dos best-sellers A Lógica do Cisne Negro, Arriscando a Própria Pele e Antifrágil. Em fevereiro deste ano, quando o valor da criptomoeda teve queda significativa, Taleb disse que ela é um “jogo perfeito para otários durante tempos de juros baixos”. “A verdade é que o bitcoin não é uma proteção contra a inflação, não é uma proteção contra crises do petróleo, não é uma proteção contra ações e, claro, o bitcoin não é uma proteção contra eventos geopolíticos – na verdade, é exatamente o oposto”, disse, em suas redes sociais.

Sem inflação

Porém, os entusiastas do bitcoin argumentam que o ativo pode vir a ter mais valor do que moedas de países porque tem oferta limitada, gerando escassez e evitando a inflação ligada ao aumento de emissão de moeda, recurso usado por governos para injetar capital na economia, como medida de curto prazo. As transações em bitcoin são gravadas em uma espécie de livro-razão codificado (critografado), no qual cada novo elo é vinculado ao anterior, formando uma corrente feita para ser inquebrável, que evita duplicação de valores.

O bitcoin, assim como outras criptomoedas, não é regulado por nenhum órgão vinculado a governos, como os Bancos Centrais. Em vez disso, a blockchain é o que mantém os registros de transações e a emissão limitada de novas criptomoedas é feita por meio de um processo chamado de mineração, efetuado por pessoas e empresas que têm computadores dedicados a essa finalidade e são remunerados (em bitcoin) por essa atividade.

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