Mike Segar/ Reuters
Mike Segar/ Reuters

Bitcoin desaba após China emitir alerta contra uso de moedas digitais

Cotação da moeda digital chegou a registrar queda de quase 50% sobre o pico de abril; banco central chinês disse que as criptomoedas não são 'uma moeda real'

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2021 | 21h40

Depois de meses seguidos de valorização, a cotação da moeda digital bitcoin caiu nesta quarta-feira, 19, abaixo da marca de US$ 40 mil e atingiu o seu menor valor em três meses e meio, contaminando as cotações de outras moedas digitais (também conhecidas pelo nome de criptoativos ou criptomoedas). 

Durante a manhã, o valor do bitcoin chegou a cair para US$ 31,9 mil, metade do pico registrado em abril, quanto atingiu a cotação máxima histórica de mais de US$ 64 mil. A moeda se recuperou depois ao longo do dia e era cotada a cerca de US$ 38 mil às 19h, mas caminha para registrar o seu primeiro declínio mensal desde novembro de 2018. 

O tombo ocorreu depois de as autoridades reguladoras chinesas emitirem um alerta às instituições financeiras do país para que deixem de aceitar pagamentos realizados em criptomoedas, como o bitcoin, ou oferecer produtos e serviços relacionados a elas. 

O comunicado emitido em conjunto pelo Banco Popular da China (o banco central do país) e associações bancárias chinesas afirma que as criptomoedas não são “uma moeda real” e não devem ser usadas como meio de transação. O alerta também classifica a valorização do bitcoin e outros criptoativos como “especulação”. 

Após o comunicado, o mercado de criptoativos reagiu com temor de que a China ou outros países adotem medidas para restringir a circulação dos criptoativos. As cotações de outras moedas digitais também foram contaminadas pela onda de correção nos preços. O tombo do bitcoin afetou outros ativos digitais, como o Ether, a moeda ligada à rede blockchain ethereum, e o dogecoin, outra criptomoeda que ganhou destaque no último mês por causa da rápida valorização. 

O bitcoin, a maior e mais conhecida criptomoeda, já estava sob pressão nas últimas semanas depois de uma série de mensagens negativas publicadas por Elon Musk, presidente executivo da montadora Tesla, na rede social Twitter. O empresário afirmou que a Tesla deixaria de aceitar bitcoin como forma de pagamento na venda dos seus carros elétricos, o que fez a cotação desabar. Ele também deu a entender que a Tesla poderia vender os bitcoins que havia comprado, o que causou confusão. A Tesla depois desfez o mal-entendido, afirmando que não iria se desfazer da sua posição em bitcoins. 

Antes do anúncio das autoridades reguladoras chinesas, o valor do bitcoin já acumulava uma queda de 26% em maio. A desvalorização contrasta com a alta nos preços da criptomoeda nos últimos meses. De novembro de 2020 a abril deste ano, a cotação passou de US$ 13,7 mil por unidade de bitcoin para mais de US$ 60 mil. 

O declínio no mês de maio agora foi acentuado pelo anúncio da China proibindo instituições financeiras e empresas de pagamento de fornecer serviços relacionados a transações com criptomoedas. A China também alertou investidores contra a negociação especulativa com os ativos digitais.

‘Emoções’

“Os mercados de criptografia estão atualmente processando uma cascata de notícias que alimentam o cenário de baixa para o desempenho dos preços”, disse Ulrik Lykke, diretor executivo do fundo de hedge de criptoativos ARK36. “Notícias como esta da China podem obter muita força e facilmente mexer com o sentimento do mercado, mas muitas vezes se mostram de pouca importância no longo prazo. Os mercados de criptomoedas são extremamente motivados pelas emoções e seus participantes tendem a reagir de forma exagerada a eventos que consideram negativos.”

No entanto, alguns especialistas previram mais perdas à frente, observando que a queda abaixo de US$ 40 mil representou a quebra de uma barreira técnica chave que poderia definir o terreno para mais vendas no curto prazo, pelo menos.

Mais importante, investidores podem estar migrando do bitcoin de volta para o ouro, disseram analistas do JPMorgan, citando dados de posicionamento compilados com base na participação em aberto nos contratos futuros de bitcoin.

Isso mostra “a liquidação mais acentuada e sustentada” nos futuros do bitcoin desde outubro do ano passado, disseram os analistas do banco, acrescentanto: “O fluxo do bitcoin continua a se deteriorar e aponta para uma retração contínua por parte de investidores institucionais”. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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