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Bitcoin estreia como moeda oficial em El Salvador em meio a problemas tecnológicos

Carteira digital criada para a utilização da criptomoeda não funcionou no primeiro dia

Associated Press, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2021 | 15h32

San Salvador - El Salvador se tornou nesta terça-feira, 7, o primeiro país a adotar o bitcoin como moeda oficial. Mas, nas primeiras horas de sua aplicação, a carteira eletrônica chamada "Chivo", necessária para a utilização da criptomoeda, não estava funcionando, disse o presidente salvadorenho, Nayib Bukele.

"Por alguns momentos a 'Chivo Wallet' não funcionará. Nós a desconectamos enquanto aumentamos a capacidade dos servidores de captura de imagem. Os problemas de instalação (da carteira) que algumas pessoas tiveram foram por esse motivo", disse Bukele em sua conta oficial no Twitter. "Preferimos corrigir o problema antes de reconectar (a carteira)."

O governo prometeu instalar 200 caixas eletrônicos Chivo e 50 pontos de serviço. Além disso, provedores privados podem oferecer serviços com operações em bitcoins.

A Associated Press visitou um dos caixas eletrônicos localizados no centro histórico da capital salvadorenha, onde os responsáveis se preparavam para atender uma população que não demonstrou muito interesse. 

"Não, ainda não", disse Emanuel Ceballos quando questionado se já havia baixado o aplicativo Chivo. "Não sei se vou fazer isso, ainda tenho dúvidas sobre o uso dessa moeda." "Estou interessado, mas não baixei, talvez à noite, em casa", respondeu um outro salvadorenho, José Martín Tenorio.

Pelo menos três estudos de opinião recentes garantem que a maioria dos salvadorenhos não concorda com o uso de bitcoin como moeda oficial. 

Em Santa Tecla, cerca de 10 quilômetros a oeste da capital, San Salvador, foi instalado um dos centros, onde um grupo de jovens atende as pessoas que chegam para baixar o aplicativo eletrônico. "Eles estão me dizendo que há problemas com o aplicativo, por isso não consegui acessá-lo", disse Denis Rivera. Junto com um amigo, sentado em um banco de parque, ele pesquisava em seus telefones celulares como fazer o download do "Chivo Wallet".

Rivera disse não entender como algumas pessoas "têm se escandalizado" com o uso de bitcoin. "Usamos cartões de débito e crédito há anos e é a mesma coisa, dinheiro eletrônico. Pessoalmente, é excelente, é uma forma diferente e nova de usar o dinheiro eletrônico", disse.

Ele acrescentou que, ao receber os US$ 30 que o governo prometeu para estimular a adoção do bitcoin, vai testa "quão eficiente e prático pode ser" e, "com base nisso irei decidir se continuo usando ou não."

Mas as dúvidas se acumulam no comércio. "Tenho uma pequena empresa e quero saber como usar o aplicativo, como são essas mudanças", disse José Luis Hernández, dono de uma barbearia.

Enquanto isso, grupos de oposição ao governo se preparavam para marchar pelas ruas de San Salvador para exigir a revogação da lei que permite o uso de bitcoin. Ao protesto juntaram-se juízes e um grupo de funcionários do Poder Judiciário, em manifestação contra a reforma da Lei da Carreira Judiciária, que atribui ao Supremo Tribunal de Justiça a transferência ou destituição de juízes e magistrados.

A lei que autoriza o uso do bitcoin como moeda oficial foi aprovada em junho pela Assembleia Legislativa salvadorenha. Para a implementação e regulamentação do bitcoin, o governo conta com assistência técnica do Banco Centro-Americano de Integração Econômica (CABEI).

Para garantir a mudança, o Congresso, controlado pelo partido Novas Ideias, do presidente Bukele, aprovou um fundo fiduciário de US$ 150 milhões que será usado no bônus de US$ 30 que o governo concederá aos salvadorenhos para estimular o uso do bitcoin e da carteira eletrônica Chivo, por meio da qual é possível converter bitcoins em dólares

Bukele explicou que, com o aplicativo Chivo, os salvadorenhos poderão aceitar pagamentos em bitcoin ou dólares, receber dinheiro de familiares ou amigos e enviar ou receber remessas sem pagar comissões. Ele esclareceu que ninguém é obrigado a baixar o aplicativo e que, caso assim o decida, pode continuar a enviar as remessas pelos meios que já faz, continuando a pagar as comissões. "Não há problema", afirmou.

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