Laura Morton/The New York Times
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Bitcoin volta a atrair interesse e a se valorizar

Com sinais de interesse demonstrados por Wall Street e pela China, moeda virtual chegou a dobrar de valor em apenas um mês

THE NEW YORK TIMES

06 de novembro de 2015 | 02h04

Após um longo período de calmaria, o preço da moeda virtual bitcoin voltou a subir, depois que os sinais de interesse da China e de Wall Street contribuíram para desencadear um novo frenesi especulativo. O preço de um bitcoin vem persistentemente aumentando nas últimas semanas. Na quarta-feira, apresentou um aumento significativo, chegando a mais de US$ 500 em algumas bolsas, com a valorização de uma única moeda em mais de 100% em relação a um mês atrás. No final do expediente de quarta-feira, o preço havia caído, aproximando-se de US$ 400.

A recente valorização foi a maior desde que a moeda online entrou num constante declínio, após o colapso da que foi a maior bolsa de Bitcoin, a Mt. Gox, em Tóquio, no início de 2014. O incidente - e o uso do bitcoin para a venda de drogas - levou muitas pessoas a considerarem a moeda virtual uma moda passageira.

Entretanto, muitos bancos e financeiras continuaram estudando a tecnologia nos bastidores e recentemente manifestaram o seu interesse - e o anúncio de novos investimentos - na tecnologia sobre a qual o bitcoin se baseia, que está sendo alardeada como uma nova maneira de realizar uma vasta gama de transações financeiras.

Além disso, está havendo um aumento da demanda por bitcoins na China, onde o novo interesse é explicado por diversos fatores, como a queda da bolsa naquele país, bem como o surgimento de um novo esquema Ponzi (pirâmide) relacionado ao bitcoin. O preço da moeda virtual subiu mais rapidamente nas bolsas chineses que em qualquer outra parte do mundo.

Bobby Lee, diretor executivo de uma das maiores bolsas de bitcoin da China, a BTCC, disse que, como ocorrera em altas repentinas no passado, uma massa crítica de artigos sobre o bitcoin atraiu uma nova onda de especuladores, que apostam mais no futuro da moeda do que em seu uso atual. "Há vários pontos críticos sucessivos, que formam um maremoto", disse Lee.

Sobe e desce. As oscilações dos preços não são novidade para o bitcoin, que passou por várias altas e baixas desde que foi lançado no início de 2009, por um obscuro criador, Satoshi Nakamoto. No final de 2013, o preço disparou, superando os US$ 1.200 nas transações durante o expediente. Os aumentos passados foram imediatamente seguidos por colapsos, em geral provocados por algum sinal de fraqueza na infraestrutura do setor de bitcoin.

O tempo todo houve ceticismo quando o interesse dos investidores se adiantava ao emprego da moeda virtual no mundo real. Embora o bitcoin tenha sido considerado uma maneira mais rápida e mais barata de enviar dinheiro online, as pessoas comuns demoraram para usar a moeda nas suas transações cotidianas e não há sinais significativos de que isso venha a se modificar.

Mas as companhias que atualmente realizam a maioria das transações em bitcoins parecem ser mais fortes do que as que o fizeram no passado. A principal agência reguladora financeira de Nova York concedeu cartas constitutivas de sociedades fiduciárias a duas bolsas de bitcoins no ano passado e ambas operam atualmente em colaboração com uma bolsa na Califórnia, a Coinbase, que é a maior do país. Na quarta-feira, a Coinbase informou um volume de transações quatro vezes maior do que sua média recente.

Até o momento, os grandes bancos não negociaram bitcoins nessas bolsas nem investiram diretamente na moeda virtual. Entretanto, financeiras de todos os tipos mostraram considerável interesse na descentralização usada nas transações em bitcoins e no novo tipo de registro em que estão inscritos todos os bitcoins e suas transações, chamado blockchain.

Na semana passada, a Nasdaq lançou um novo sistema, o Linq, que permitirá que as ações de startups sejam registradas e negociadas num livro semelhante ao blockchain, que realizará negócios mais rapidamente do que os sistema em uso. Mais de dez bancos, incluindo a maioria dos gigantes globais, recentemente se uniu a uma startup, a R3 CEV, para definir as normas de novos registros descentralizados.


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