Justin Lane/EFE
Justin Lane/EFE

Black Friday 2019: vale a pena comprar no evento dos Estados Unidos?

Especialistas alertam para a volatilidade do câmbio; veja dicas para a data

Felipe Laurence, especial para o Estado

27 de novembro de 2019 | 10h15

Nos últimos anos, a Black Friday se consolidou como uma das principais datas no varejo e comércio eletrônico do Brasil, com lojas importando o evento que nasceu nos Estados Unidos para antecipar o período de vendas de fim de ano. Mesmo assim, ainda há muitos brasileiros que preferem comprar no exterior, aproveitando a data para conseguir descontos maiores do que os daqui. 

A alta do dólar, que atingiu máxima nominal de R$ 4,24 por conta do pessimismo do mercado com as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, bem na semana do evento, aumentou as dificuldades para os consumidores brasileiros participarem da data no exterior.  

"O dólar subindo é uma preocupação a mais que precisa ser analisada, mas acho que o caminho continua o mesmo para o consumidor: ele vai ter que pesquisar e comparar preços", diz José Marques da Costa, CEO da Câmbio Store, loja especializada no comércio de moedas. "Mesmo com o dólar neste patamar, muitos descontos ofertados na Black Friday dos Estados Unidos são maiores que os daqui e acaba compensando."

Para Thiago Flores, CEO da plataforma de comércio eletrônico Zoom, além da cotação do dólar, o consumidor tem de se preocupar com os outros valores embutidos na compra. "Quando se compra algo lá fora tem as taxas de alfândega, tem IOF, porque as compras são feitas com cartão de crédito, então, o câmbio é só um fator na conta toda que o consumidor precisa fazer." 

Outro ponto destacado pelos especialistas é conferir se a loja no exterior faz a conversão do valor em reais na hora da compra. "Se acontecer essa conversão, o valor final é o que aparece na hora da compra, se não tiver isso o valor será o do câmbio no dia em que fecha a fatura", alerta Flores.

Veja abaixo algumas dicas de como participar da Black Friday dos Estados Unidos.

Quais são os principais sites da Black Friday nos EUA?

Apesar de a Black Friday ter surgido como uma data no varejo físico norte-americano, hoje a maioria das vendas acontece online e todas as grandes redes têm descontos em suas lojas oficiais. Walmart, Target, Best Buy e Sears são algumas das lojas mais tradicionais. Gigantes da tecnologia, como Amazon, também participam.

Fique atento com o horário

Atualmente, o horário oficial dos Estados Unidos está duas horas na frente ao do Brasil. As promoções começam à meia-noite de lá, 2h aqui. Para aproveitar as ofertas, o consumidor precisa passar a madrugada olhando os sites.

Veja se a loja faz entregas para o Brasil

Muitas das lojas norte-americanas que participam da Black Friday não fazem entregas para o Brasil, então o consumidor terá de acionar algum serviço de entrega terceirizado, como o Shipito. Na hora de comprar, você coloca o endereço desse serviço e eles enviam o pacote para o Brasil.

Cuidado com o câmbio

Algumas das lojas online, como a Amazon, já fazem a conversão do preço do produto para real na hora da compra, valendo o câmbio daquele momento. Outras empresas não fazem isso e quando o valor é cobrado no cartão de crédito, o câmbio só é definido no fechamento da fatura daquele mês.

Meu produto será taxado quando chegar ao Brasil?

Se trazer o produto dos Estados Unidos já pode ficar caro por conta da alta do dólar, as taxas extras podem se um incômodo adicional ao consumidor. Como as compras são feitas por cartão de crédito, incide o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que tem taxa de 6,38% nestas compras no exterior.

Para Entender

Black Friday 2019: tudo o que você precisa saber

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Além disso, se os produtos importados ultrapassarem 100 dólares, ao chegar no Brasil ele pode ser taxado pela Receita Federal e será cobrado uma taxa alfandegária de 60% sobre o valor total. Algumas lojas já fazem o pagamento desta taxa no momento da compra para facilitar a vida do cliente.  

Quanto tempo vai demorar para o produto chegar?

Se a loja não envia os produtos por algum serviço privado de entrega, o produto pedido nos Estados Unidos pode demorar a chegar. Os Correios explicam que o prazo é de 40 dias úteis, mas existe uma demora na entrega de produtos internacionais pelo volume de pacotes que chegam ao Brasil. São aproximadamente 300 mil por dia que entram Centro Internacional de Curitiba (CEINT) e deixa lento o trabalho de processamento e taxação feito pela Polícia Federal

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