Fabio Motta/Estadão
Com o amadurecimento da 'Black Friday' no Brasil, as barreiras entre o comércio eletrônico e o varejo vão desaparecendo Fabio Motta/Estadão

Black Friday 2019: vale mais a pena comprar em lojas físicas ou pela internet?

Com o amadurecimento do evento no Brasil, as divisões entre as duas categorias vão desaparecendo

Sandy Oliveira e Felipe Laurence, especiais para o Estado

19 de novembro de 2019 | 09h24

A Black Friday se consolidou nos últimos anos como uma das grandes datas do e-commerce brasileiro, resultando em faturamento na casa de bilhões e ficando só atrás das festas de fim de ano como período de maior movimentação no setor. Este ano não é diferente, a expectativa da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) e da Ebit/Nielsen é que o faturamento aumente 18% em relação ao evento de 2018, quando chegou a R$ 3,9 bilhões em transações virtuais.

Ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, berço do evento, a Black Friday no Brasil surgiu como um evento estritamente online e só agora também começa a se firmar no varejo tradicional, com empresas de peso investindo na data. Essa mudança de paradigma leva à questão: vale mais a pena comprar online ou ir a lojas físicas?

De acordo com levantamento realizado pelo Google, a intenção de compra somente na internet durante a Black Friday pelo consumidor brasileiro caiu de 52% em 2018 para 38% em 2019. Alguns fatores contribuem para a intenção de ida à lojas físicas: maior segurança na transação, menos chances de fraudes e a possibilidade de sair com o produto na hora da compra.

Vale mais a pena comprar online ou no pessoalmente nas lojas?

Para Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, o preço de ter um determinando produto deve ser levado em consideração, já que, se o consumidor precisa de algo para logo, ele vai sempre comprar em loja física. "Na internet o consumidor pode comprar mais ou menos o que precisa, na loja física ele tem certeza do que está comprando", explica.

Muitas vezes o varejo vende o produto mais barato na sua plataforma virtual, mas o consumidor precisa ficar de olho na taxa de frete, que pode encarecer o produto em detrimento da facilidade da compra. “A compra online é mais vantajosa nesse caso, mas em contrapartida é necessário tempo para se fazer a pesquisa com calma", comenta Marcela. 

Ominichannel

Uma das tendências da Black Friday deste ano, apontada por analistas, é a popularização do chamado omnichannel, um processo logístico que melhora a experiência do consumidor. "O consumidor pode comprar alguma coisa online e retirar na loja, ou eventualmente passar pela loja, testar um produto e comprar online", diz Albert Deweik, CEO da NeoAssist, empresa que realiza soluções em omnichannel para o varejo.

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"Já não existem mais barreiras entre o online e o físico, hoje as grandes empresas já estão capacitadas para prestar esse serviço contínuo ao consumidor", continua Deweik. A criação de facilidades nessa experiência do consumidor é um dos maiores fatores de fidelização na Black Friday e diminui a chance de desistência ou cancelamento da compra.    

"A experiência do cliente precisa ser satisfatória em todos os pontos de contato, tanto no digital quanto no físico, então o omnichannel é uma tendência forte para garantir isso antes, durante e depois da compra", fala Roberto Madruga, diretor da ConQuist Consultoria.

Dicas para o consumidor

"A negociação com o vendedor (nas lojas físicas) é mais fácil", diz Marcela. "Vale a pena fazer as duas tentativas, ver o valor na internet e ir até a loja física negociar em cima dos valores na internet." A economista do SPC Brasil também pede cautela ao consumidor na hora de usar o cartão de crédito durante a Black Friday - ceder à tentação de comprar simplesmente por causa dos descontos, e não porque realmente precisa do produto, pode causar endividamento.

Fernando Capez, diretor-executivo do Procon-SP, explica que as empresas são obrigadas a fazer a equivalência de preços caso um produto esteja mais barato no online do que na loja física. "Se não fizerem isso é propaganda ilegal e a empresa pode ser multada", comenta. Capez pede atenção aos prazos de entrega das lojas e que a população fiscalize as lojas que não cumprirem o acordo estabelecido na hora da compra. 

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