Black Friday agora começa na quinta

Dia de promoções mais importante do comércio americano virou 'questão de vida ou morte' para algumas redes, que estão adiantando as ofertas

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h20

A Black Friday já começou nos Estados Unidos. Principal data do ano para o comércio americano, em 2012 o evento não teve início na tradicional sexta-feira, mas ontem mesmo, Dia de Ação de Graças. Grandes redes de varejo, como Walmart, Target, Toys R Us e Sears, abriram as lojas oferecendo descontos.

A estratégia dessas redes não foi bem recebida por todo mundo. Se alguns consumidores agradecem a oportunidade de poder comprar com superdescontos um dia antes e evitar as enormes filas que se formam na Black Friday, os funcionários das redes e seus concorrentes reclamaram.

Os funcionários do Walmart estão fazendo vários protestos desde a semana passada. Além de reclamarem de baixos salários e aumento na contribuição do seguro saúde, eles reclamam de ter que trabalhar no Dia de Ação de Graças sem serem consultados e ainda sem ganhos atrativos, segundo comunicado do Making Change at Walmart, uma campanha para defender interesses dos funcionários patrocinada pelo sindicato dos trabalhadores do comércio e do setor de alimentos.

O objetivo dos funcionários do Walmart é fazer até amanhã mil protestos, que incluem greves em algumas lojas. O mais recente boletim do movimento, divulgado ontem, mostra que redes e centros de distribuição da Califórnia, Seattle, Dallas, Washington, Chicago, Miami, Oklahoma e outras cidades dos EUA aderiram aos protestos. O posicionamento oficial da rede é que esses protestos não vão atrapalhar as vendas e a estratégia do grupo para a Black Friday.

A Black Friday sempre ficou restrita ao horário comercial da sexta-feira, depois do Dia de Ação de Graças. Mas, recentemente, algumas lojas começaram a abrir as portas na madrugada da sexta-feira. No ano passado, algumas redes abriram à meia-noite ou até um pouco antes, no fim da noite do Dia de Ação de Graças. Em 2012, pela primeira vez, vão abrir na quinta-feira. A data chega a representar 10% do faturamento anual de algumas redes, diz o analista da Wyatt Investment Research, Jason Cimpl. "Para muitas varejistas, a Black Friday é uma questão de vida ou morte", comenta.

Algumas redes tradicionais não aderiram à estratégia de abrir as lojas na quinta-feira, por considerarem que quebra a tradição e aumenta o custo com funcionários. As varejistas J.C. Penney e Macy's, por exemplo, vão abrir só hoje. Algumas lojas na internet, como a da Apple, vão oferecer os descontos só a partir da 0h01 de hoje.

A expectativa é que as vendas na Black Friday batam recorde e superem US$ 12 bilhões. O crescimento de 7,7% das vendas no varejo americano na semana encerrada no último dia 17 (em comparação com o mesmo período de 2011) é mais um indicador de que o faturamento do comércio deve dar um salto esta semana, destaca um boletim da ShopperTrak, empresa especializada em dados do comércio americano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.