Black Friday deve bater recorde nos EUA

Data marca início das vendas de fim de ano do varejo, que espera movimento acima da média

ALTAMIRO SILVA JUNIOR, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2012 | 02h08

A data mais importante para o varejo americano, a Black Friday, que este ano cai na sexta-feira, dia 23, promete bater recorde de faturamento e é vista como mais um indicador de recuperação econômica. Esse dia marca o início das vendas de fim de ano do comércio, que devem movimentar US$ 586 bilhões este ano, crescimento de 4% na comparação com 2011, de acordo com a Federação Nacional de Varejo dos Estados Unidos.

No ano passado, somente na Black Friday foram movimentados US$ 11,4 bilhões, de acordo com números da ShopperTrak, empresa especializada em acompanhar o desempenho de redes de varejo e shoppings. Para 2012, alguns analistas de Wall Street veem faturamento na casa dos US$ 12 bilhões.

O crescimento de 4% para as vendas de fim de ano nos Estados Unidos está acima da média de 3,5% dos últimos dez anos. As previsões para as vendas de fim de ano também são as mais otimistas da Federação Nacional de Varejo (NRF, na sigla em inglês) desde o início da crise financeira mundial, em 2008, destaca em um comunicado à imprensa seu presidente, Matthew Shay.

Shay avalia que a situação atual da economia americana ainda pode confundir e intimidar os consumidores. Ele concorda que ainda pesa a discussão sobre o "abismo fiscal" e a perspectiva de a economia entrar em recessão caso não se chegue a um acordo no Congresso sobre o corte de gastos e o aumento de impostos. Apesar desses temores, o presidente da NRF avalia que os descontos oferecidos pelos varejistas devem acabar estimulando as vendas.

Entre os descontos já divulgados por grandes redes, como Walmart e Best Buy, estão aparelhos de Blu Ray a US$ 38 e TVs de LCD de 42 polegadas por US$ 149. Algumas lojas anunciaram que vão abrir as portas à meia-noite de sexta-feira. Outras, como Sears, Target e Walmart, vão abrir antes, na manhã das quinta-feira, o Dia de Ação de Graças.

Polêmica. O objetivo da estratégia é aumentar as vendas, mas vem causando polêmica no setor de varejo, pois contraria a tradição das promoções, que ocorrem apenas na sexta-feira. A Black Friday vai estar também na internet, em sites como Amazon e nas páginas virtuais das redes físicas.

Cerca de 10% do faturamento anual de algumas redes de varejo vem apenas da Black Friday, destaca o analista da Wyatt Investment Research, Jason Cimpl. "Para muitas varejistas é uma questão de vida ou morte. Um bom desempenho de vendas nesse dia pode fazer as ações subirem", destaca.

Os produtos mais procurados são roupas e eletroeletrônicos. Pesquisa da Federação de Varejo com base em um levantamento da BIGinsight mostra que 59,7% dos americanos querem comprar roupas. CDs, DVDs e jogos aparecem como a primeira preferência de 51,5%. Os eletrônicos são citados por 32% e produtos de beleza por 24%.

O mais interessante é que os americanos também não querem se endividar. A pesquisa da BIGinsight revela que 43% devem pagar suas compras no cartão de débito e 25% em dinheiro.

Protesto. O Walmart, maior varejista e empregador americanos, entrou com uma queixa no National Labor Relations Board - A primeiro em décadas - para se prevenir dos protestos que estão sendo organizados pelo grupo OUR Walmart, com o apoio dos sindicatos, contra a companhia em centenas de lojas. Especialistas em trabalho veem a queixa só como uma advertência para desestimular a adesão dos trabalhadores aos protestos programados para a Black Friday, uma vez que o órgão demora meses para concluir a análise dos processos recebidos. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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