BlackBerry investe em empresas no Brasil

A BlackBerry Partners Fund, empresa de venture capital (especializada em investir em empresas emergentes) financiada pela Research In Motion, planeja obter ao menos US$ 150 milhões para investir em desenvolvedores de software para celulares em mercados como Brasil e Índia. A Research In Motion fabrica o aparelho BlackBerry.

Hugo Miller, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

A BlackBerry Partners anunciou em maio planos para um fundo de US$ 100 milhões concentrado na China, mas agora a empresa decidiu em vez disso levantar mais capital para o fundo e investir numa gama mais ampla de países, incluindo Brasil, Índia e Rússia, disse Kevin Talbot, sócio e um dos administradores da empresa.

Concentrar-se na China "consumiria uma parcela tremenda do nosso capital" e limitaria a capacidade do fundo de investir fora da América do Norte, disse Talbot em entrevista concedida em Toronto, onde fica a sede do fundo. "A inovação se propaga pelo mundo, e ainda há cinco ou seis regiões chave nas quais precisamos estar presentes."

Apesar da possibilidade de o fundo ainda fazer investimentos nos EUA, serão buscadas oportunidades na Europa, América Latina e Ásia, onde os desenvolvedores de software estão criando aplicativos para os consumidores locais. A RIM, com sede em Waterloo, Ontário, conta com a venda de modelos mais baratos de BlackBerry, como o Curve, para obter fora dos EUA uma vantagem sobre o Apple iPhone, mais caro, e compensar a desaceleração no mercado americano.

As vendas fora dos EUA aumentaram 93% no último trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o faturamento nos EUA caiu 2,9%.

Empresas de venture capital estão se dedicando mais aos desenvolvedores de software conforme seus aplicativos se tornam progressivamente importantes para os consumidores na hora de escolher entre o BlackBerry, da RIM, o iPhone e os aparelhos que usam o sistema operacional Android, do Google. A loja App World, da RIM, conta com mais de 10 mil aplicativos disponíveis para o consumidor, perdendo para os 250 mil que podem ser baixados a partir da App Store, da Apple, e das mais de 80 mil opções oferecidas pelo Android.

Concorrentes. Apesar de batizada com o nome do smartphone da RIM, a BlackBerry Partners é adepta do "agnosticismo" em relação às demais plataformas e investe em empresas que também desenvolvem aplicativos para iPhone e dispositivos Android com o objetivo de aproveitar os ganhos proporcionados pelas ideias de maior potencial, disse Talbot.

"Se tomarmos como exemplo a WorldMate, o aplicativo deles funciona em todas as plataformas de smartphones disponíveis", disse Talbot, referindo-se ao serviço de planejamento de viagens que é um dos investimentos da empresa.

O nome BlackBerry segue atraindo desenvolvedores, e o fundo pode ajudar essas empresas iniciantes a se conectar à RIM, disse Talbot.

"O que conseguimos fazer é trazer esses empreendedores para uma das maiores empresas do ramo da telefonia móvel", disse ele. "Trata-se de uma oportunidade de valor incalculável, seja para o desenvolvimento de aplicativos para a plataforma BlackBerry, seja para as perspectivas da evolução das tecnologias celulares."

A companhia planeja abrir um escritório em Palo Alto, Califórnia, até o fim de março de 2011, com o objetivo de explorar as oportunidades no Vale do Silício, que abriga cerca de um terço das empresas que foram apoiadas pelo seu fundo original de US$ 150 milhões que teve início em 2008, disse Talbot.

A expansão se dá após a fusão das duas administradoras do fundo original, RBC Venture Partners e JLA Ventures, permitindo à empresa investir mundialmente em tecnologias celulares com mais eficiência, disse ele. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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