Blackstone chega ao País com ofertas bilionárias

Fundo, que está perto de anunciar a compra de cerca de 50% do Pátria, já fez ofertas de US$ 1 bi a US$ 2 bi por múltis locais

, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2010 | 00h00

O Blackstone, um dos maiores fundos de private equity do mundo, deve anunciar nesta semana a compra de cerca de 50% da gestora de recursos Pátria, marcando a sua entrada definitiva no Brasil. O fundo não vai começar do zero por aqui. Embora nunca tenha feito aquisições de empresas brasileiras, o Blackstone mantinha uma aliança estratégica com o Pátria desde 2004.

"Estamos olhando mais negócios nos últimos seis meses do que em toda a nossa história de parceria", disse Alexandre Saigh, um dos sócios do Pátria, que não quis comentar a venda da participação para o Blackstone. "A parceria finalmente está rendendo frutos. O Brasil mudou de liga, passou a jogar na primeira divisão. Por isso, está despertando o interesse dos megafundos", afirma.

Commodities. Segundo Saigh, os dois fundos já fizeram meia dúzia de propostas neste ano. Nem todas vingaram. Mas há chances de algumas saírem até dezembro. O Blackstone está disposto a investir entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões em cada um desses negócios. "A gente tem várias propostas na rua. E algumas estão perto de fechar", afirma.

O fundo está interessado em multinacionais brasileiras, de capital aberto, de óleo e gás, mineração e agronegócios, com condições de consolidar os setores mundialmente. "São áreas onde o Brasil tem vantagens competitivas", diz Saigh.

O interesse por commodities tem ainda outra explicação. A China - que em 2007 comprou uma fatia do Blackstone por meio do seu fundo soberano (o CIC, China Investment Corporation) - tem uma já conhecida política para assegurar o fornecimento de minério, alimentos e petróleo.

Embora tenha sido penalizado pela crise, o Blackstone foi um dos fundos de private equity que tiveram o melhor desempenho nesse período negro. Segundo seus executivos, os efeitos foram amenizados pela abertura de capital, ocorrida um ano antes do estouro da crise.

A casa sempre impressionou pelo tamanho dos seus negócios. Estava por trás de sete das 25 maiores aquisições feitas com dívida na história. Em 2006, comprou a fabricante de chips Freescale Semiconductor, por US$ 17,6 bilhões, e a Equity Office Properties, empresa imobiliária do megainvestidor americano Sam Zell, um negócio de US$ 38,9 bilhões. No ano seguinte, foi a vez da cadeia de hotéis Hilton, pela qual desembolsou nada menos que US$ 25,8 bilhões.

Com a crise, as cifras ficaram muito mais modestas. Em agosto deste ano, o Blackstone anunciou que compraria a empresa de energia Dynegy, por cerca de US$ 5 bilhões. Foi a maior aquisição feita com dívida do ano, mas ainda muito distante dos tempos de boom.

Criado em 1985 por Steve Schwarzman (conhecido como o "novo rei de Wall Street") com um patrimônio de apenas US$ 400 mil, o Blackstone hoje tem escritórios em 17 países e mais de US$ 100 bilhões sob gestão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.