Rodrigo Fonseca/AFP
Rodrigo Fonseca/AFP

Blairo afirma que disputa política afeta fiscalização de produtos agrícolas

Ministro diz que o ideal é que a nomeação de técnicos seja feita sem envolvimento partidário

Leonencio Nossa, Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2017 | 05h00

BRASÍLIA - O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, admitiu que o setor técnico da fiscalização é alvo de disputas políticas regionais. Em entrevista ao ‘Estado’, ele disse que o ideal é a nomeação de técnicos sem envolvimento partidário. “Os parlamentares nos Estados, cobrados pela população, brigam politicamente por espaço”, afirmou. “Com certeza, a maioria faz indicação política mais para demonstrar força política do que por interesses privados.”

Ele disse que não gosta de indicações políticas porque isso traz “responsabilidades”. “Questões políticas existem e não podemos fugir disso”, afirmou. O ministro informou que busca “interventores” para preencher os cargos dos superintendentes exonerados em Goiás e no Paraná. “É preciso encontrar alguém com experiência para fazer isso”, disse. “Não adianta colocar um soldado com porrete na mão. Ele precisa politicamente se comunicar com a sociedade, com as empresas.”

Uma parte das atuais indicações é formada por servidores do próprio ministério. São os casos de São Paulo, onde Francisco Sérgio Ferreira Jardim, do quadro pessoal, é filiado ao PTB, e Santa Catarina, superintendência comandada por Jacir Massi, filiado, pelos registros do TSE, ao PP. Massi diz que é favorável ao decreto. “Minha indicação foi por consenso da bancada catarinense”, afirma. Ele diz que há tempo não atua mais como filiado de partido.

Dos dois superintendentes afastados nesta semana, Gil Bueno de Magalhães, do Paraná, era técnico de carreira e indicação do PMDB estadual, e Júlio César Carneiro, de Goiás, não pertencia ao quadro do serviço público e foi indicado pelo PTB. Interlocutores do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, avaliam que tanto servidores quanto políticos podem dar problema e não se pode “demonizar” as indicações políticas. Eles observam que abrir mão do instrumento das indicações limita a atuação da pasta e sua relação com a base aliada.

Bahia. Dono de um rebanho que oscila entre 10 e 12 milhões de cabeças, o Estado da Bahia tem 60 funcionários na inspeção de animais. O atual superintendente é Osanah Rodrigues Setúval, presidente do diretório do PMDB de Juazeiro. Chefe da Divisão de Defesa Pecuária da superintendência baiana, Altair Santana de Oliveira diz que o decreto é uma bandeira antiga do Sindicato dos Auditores.

Ele diz que, particularmente, não defende a norma. “Um dos superintendentes exonerados por causa da operação da Polícia Federal era auditor”, afirma. “Honestidade é uma questão do indivíduo”, ressalta. Há 32 anos no quadro da Agricultura, Altair afirma, no entanto, que um gestor de fora do órgão precisará de certo tempo para conhecer o setor. “Na Bahia, em gestões de indicados políticos, nunca tivemos problemas no nosso setor.”

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