Blecaute põe em questão infraestrutura do Brasil, diz 'WSJ'

Jornal aponta as dúvidas que cercam as explicações dadas pelo ministro de Minas e Energia sobre o apagão

Hélio Barboza, da Agência Estado,

12 de novembro de 2009 | 11h05

O apagão da noite de terça-feira, 10, que deixou às escuras metade do País, ressuscitou as preocupações acerca da capacidade do Brasil para fornecer infraestrutura de energia à sua economia em crescimento, diz a edição desta quinta-feira, 12, do Wall Street Journal. O jornal destaca que o governo brasileiro defendeu a confiabilidade da rede elétrica do País, mas aponta as dúvidas que cercam as explicações dadas pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

 

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O ministro atribuiu a falha a uma intensa concentração de raios, ventos e chuvas, e observou que Nova York e vários estados dos EUA e do Canadá também sofreram um blecaute com efeito cascata em 2003. "Mas a amplitude do blecaute, que mergulhou pelo menos 60 milhões de pessoas na escuridão por cerca de quatro horas, produziu pedidos de explicações mais detalhadas do que uma intensa tempestade", diz a reportagem.

 

O texto lembra que o Brasil investiu dezenas de bilhões de dólares para melhorar sua capacidade de geração e transmissão de energia nos últimos anos. "As salvaguardas deveriam limitar a interrupção decorrente de tempestades", afirma.

 

Entrevistado pelo jornal, o analista José Soares, que pesquisa a infraestrutura brasileira para a agência de classificação de risco Moody's, diz que "obviamente houve alguma falha, seja técnica ou humana". "O problema é a magnitude, e eles deveriam dar uma resposta clara sobre por que isso não acontecerá no futuro".

 

O Journal diz que o "blecaute é uma atenção indesejada para o Brasil, que ganhou os holofotes mundiais desde que o Rio de Janeiro venceu a disputa para sediar as Olimpíadas de 2016, a primeira cidade sul-americana a fazê-lo". O texto afirma ainda que "energia tem sido um antigo calcanhar de Aquiles para o Brasil" e lembra o apagão de 1999 e o racionamento de energia, em 2001.

 

"Determinado a evitar uma repetição, o Brasil gastou ou atraiu US$ 47 bilhões de investimentos em novas usinas e sistemas de transmissão", aponta a reportagem. "O País planeja construir quatro reatores nucleares e quer grandes reservatórios na Floresta Amazônica." O Wall Street Journal observa que, embora o investimento tenha ajudado a silenciar as dúvidas sobre a oferta de energia no País, o blecaute desta semana levantou novas questões sobre o funcionamento do sistema. As informações são da Dow Jones.

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