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Blejer deve deixar BC argentino nas próximas semanas

O presidente do Banco Central argentino, Mario Blejer, deverá comunicar hoje ao presidente Eduardo Duhalde sua decisão de deixar o cargo nas próximas semanas, após o fechamento do programa monetário e a designação de seu sucessor. O principal candidato à presidência do BC é o atual vice-presidente, Aldo Pignaneli, homem de confiança de Duhalde e o preferido de Blejer. Segundo entrevista ao jornal Ámbito Financiero, Blejer confirma a decisão de antecipar sua saída, que estava prevista para após o fechamento do acordo com o FMI.O presidente do BC afirmou, no entanto, que as negociações com o organismo "já estão encarrilhadas", embora tenha reconhecido as diferenças entre o governo e o FMI em relação ao programa monetário. "Em primeiro lugar, tenho que estar convencido de que o programa já está encaminhado. Segundo, não vou deixar meu posto sem que nomeiem meu sucessor. Mas minha expectativa é que haja uma continuidade na gestão e que se respeite com todo rigor a independência do Banco Central", disse Blejer. ReservasEle afirmou que durante a visita do chefe da missão do FMI, John Thornton, esta semana, as diferenças entre a Argentina e o FMI ficaram reduzidas, "especificamente na questão monetária". Blejer admitiu que o principal ponto pendente nas discussões diz respeito à exigência do FMI de que o BC não venda mais reservas para controlar o câmbio."Eles (FMI), efetivamente, preferem que não continuemos utilizando reservas. Mas nossa postura é que neste momento é muito importante estabilizar a taxa de câmbio para encarar a saída definitiva, porque de outra forma tudo será muito mais difícil". O presidente do BC descartou o risco de se chegar à hiperinflação. Ele disse não acreditar em um "cenário de descontrole nem do câmbio, nem dos preços".Blejer confirmou informação adiantada pela Agência Estado sobre a provável prorrogação dos vencimentos da dívida argentina com os organismos multilaterais de crédito, em especial com o FMI. ?Com o Fundo se pode prorrogar, e de fato já houve prorrogação. Logo, haverá que discutir o que acontecerá com o Banco Mundial e com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), mas tudo pode ser conversado", disse.EsboçoJohn Thornton deixou a cidade de Buenos Aires ontem à noite, levando o esboço do programa monetário. Os números exatos do programa deverão ser definidos pelo próprio ministro de Economia, Roberto Lavagna, durante as negociações em Washington, previstas para a próxima semana. Uma fonte do BC informou que os técnicos do FMI, especialmente Thornton, consideram o programa elaborado pelas equipes do BC e do ministério de Economia "inconsistente" devido à indefinição de, pelo menos, três pontos.Não se sabe se os bancos poderão deixar de pagar os depósitos que a cada dia saem por ordens judiciais; não há definição sobre a cifra que o BC ainda destinará à ajuda aos bancos, através dos empréstimos; e não se sabe também quanto dinheiro faltará para sustentar o plano bônus. O governo não tem como saber qual o montante necessário para ajudar os bancos porque este depende da quantidade de ordens judiciais que são emitidas diariamente e por onde os depósitos escapam do "corralito".Além disso, no dia 16 de julho, termina o prazo para que os depositantes troquem seus depósitos por bônus. Somente depois desta data, o governo saberá quanto terá que desembolsar para trocar os títulos no mercado e qual sua base para estruturar a política monetária. Até o momento, o interesse dos argentinos pelos bônus é praticamente zero. O grande problema enfrentado pelo governo é o tempo.DívidaNo dia 15 de julho a Argentina deverá enfrentar o pagamento de uma dívida de US$ 1,7 bilhão de dólares com os organismos multilaterais de crédito, dentre eles, o próprio FMI. Dinheiro que o país não possui, salvo se usar as reservas. Por isso, Lavagna está insistindo num acordo prévio, pelo menos para postergar os vencimentos destas dívidas.Uma parte da equipe continuará revisando os números fiscais da Argentina e das províncias, enquanto Thornton apresenta seu relatório à direção do FMI para preparar a chegada de Lavagna. Hoje, o ministro falará, por telefone, com a número dois do Fundo, Anne Krueguer, quando deverão definir a data de sua viagem à Washington, inicialmente prevista para a próxima terça-feira.Leia o especial

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