Blockbuster sucumbe à internet e pede concordata

Com dívida de cerca de US$ 1 bilhão, rede de locação de vídeos espera reduzir débito para US$ 100 milhões

, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

A Blockbuster Inc., que já foi a maior rede de videolocadoras dos Estados Unidos, pediu concordata depois de meses acumulando prejuízos e dívidas crescentes. A empresa continuará operando suas 3,3 mil lojas americanas, mas analistas calculam que centenas delas fecharão sob a gestão dos novos donos, liderados pelo bilionário investidor Carl Icahn. A companhia, baseada em Dallas, tem cerca de 25,5 mil empregados.

A concordata, solicitada ontem em Nova York, deverá derrubar as ações já extremamente fragilizadas da Blockbuster, que foram retiradas da Bolsa de Valores de Nova York há dois meses porque não tinham quase nenhum valor. Icahn e seu grupo possuem 80% da dívida de alta prioridade da rede, num valor nominal de US$ 675 milhões. Pelo plano de reorganização proposto, eles receberão novas ações e controlarão o conselho da Blockbuster em troca de perdoar a dívida.

É a segunda vez que Icahn tentar recuperar a Blockbuster. Ele instigou a empresa a criar seu serviço de entrega de DVDs por correio após adquirir uma participação de 10% na companhia em 2005, mas a cadeia se afundou cada vez mais em problemas.

A empresa espera reduzir a dívida de quase US$ 1 bilhão para cerca de US$ 100 milhões com o pedido de concordata. A companhia recebeu promessas de US$ 125 milhões em financiamento de "devedores com permanência na gestão" para pagar clientes, fornecedores e empregados durante a reorganização. Busca pronto acesso a US$ 45 milhões para garantir o pagamento de estúdios de cinema para manter suas lojas abastecidas de DVDs.

Potência. Fundada em 1985 por um empresário de software de Dallas, a Blockbuster já foi uma potência no entretenimento doméstico. Ela ajudou a popularizar os aparelhos de videotape e deslanchou em 1987, após o fundador da Waste Management Inc, Wayne Huizenga, assumir o controle e começar a expandir agressivamente os negócios e a comprar concorrentes. Nos últimos anos, no entanto, a rede perdeu espaço para vídeos assistidos via cabo e serviços de entrega de DVD pelo correio, como o Netflix. Mais de mil lojas da Blockbuster foram fechadas nos dois últimos anos porque não eram lucrativas.

O pedido de concordada nos EUA não afeta a operação da marca no Brasil, segundo a Lojas Americanas, que adquiriu, em 2007, o direito de uso da marca no País por 20 anos. "Não há qualquer vínculo entre Lojas Americanas e Blockbuster Internacional", disse a companhia em nota.

Desde que adquiriu a marca, a Lojas Americanas eliminou as lojas próprias da Blockbuster. Todas as cerca de 200 locadoras da marca no País estão instaladas em lojas da varejista, principalmente nas do formato Americanas Express, que responde pela operação. Já a locadora virtual Blockbuster On Line é operada pela B2W, braço da Lojas Americanas para vendas na internet que também reúne Americanas.com, Submarino, Shoptime, Ingresso.com e B2W Viagens. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS E ALEXANDRE RODRIGUES

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