Bloqueios e vigílias na fronteira com a Bolívia

A população da Província de Germán Busch mantém fechadas neste momento a fronteira entre a Bolívia e o Brasil, a estrada que liga a região a Santa Cruz de la Sierra e a estrada de ferro. Além disso, os manifestantes fazem vigília em frente à Zona Franca, onde foi montada o complexo siderúrgico. O movimento não permitirá a desmontagem de qualquer equipamento. Afirmam que irão "lutar" para garantir a permanência do investimento na região. A retomada do paro cívico na província foi uma reação social ao desfecho da crise entre o governo boliviano e a empresa brasileira EBX. A empresa anunciou na última quarta-feira que irá deixar a Bolívia. O movimento deu um prazo de 72 horas ao governo Evo Morales para ter uma resposta. Se o governo não se pronunciar, a greve será estendida aos bancos, comércio e instituições públicas. Ao contrário da primeira vez, o paro cívico agora tem uma exigência adicional ao governo. O movimento descobriu a publicação de um decreto-lei, ocorrida no dia 3 de abril, no qual o governo federal boliviano dá ao Departamento de Pando autorização que permite investimentos, posse de imóveis a estrangeiros dentro de Zona Franca. O decreto teve como objetivo garantir o desenvolvimento da capital do Departamento de Pando, Cobija, localizada no Norte do país, também fronteira com o Brasil, mas próxima a Rio Branco, no Acre. Elizabeth Zapata, jornalista da província de Germán Busch, informa que os bloqueios em pontos estratégicos estão sendo feitos com caminhões e populares. Não há armamentos. "É um movimento feito sob a bandeira branca", afirma. Segundo ela, não há informações sobre o comportamento do Exército boliviano. Na semana passada, quando o movimento foi suspenso, havia a informação de que o Exército estava pronto para abrir a fronteira. A ação teria sido suspensa depois da suspensão do paro cívico. As comunidades católicas estão em vigília nas igrejas da Província. Províncias de outras regiões da Bolívia enviaram mensagens de apoio ao movimento do Sudeste do país, disse Elizabeth. A decisão da população da região, conhecidos como chiquitanos, elevou a tensão no país. A situação pode se agravar na próxima semana, quando o Departamento de Santa Cruz, responsável por 30% do PIB boliviano, deve parar no dia 4. Uma paralisação de 24 horas.

Agencia Estado,

28 Abril 2006 | 13h19

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.