Andre Lessa/AE-9/12/2010
Andre Lessa/AE-9/12/2010

finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

BM&FBovespa vai ganhar uma concorrente

Bats Brasil ainda não tem prazo para operar; vantagem para o investidor deverá ser o barateamento dos custos de transação

Luciana Xavier e Vinícius Pinheiro, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

A Bats Global Markets, uma operadora global de bolsas de valores, e a gestora de recursos independente brasileira Claritas anunciaram ontem que vão criar uma bolsa de valores no Brasil para concorrer com a BM&FBovespa. Segundo especialistas, a principal vantagem para o investidor deverá ser o barateamento dos custos de transação. O nome provisório da nova empresa é Bats Brasil e ainda não há prazo para começar a funcionar.

O chefe para Desenvolvimento de Negócios Globais da Bats, Ken Conklin, disse à Agência Estado que ainda pode haver alteração no nome. Segundo ele, assim como em outros mercados onde atua (Estados Unidos e Europa), a Bats revolveu entrar no Brasil para criar maior competitividade no mercado acionário.

"Há muita prática de monopólio nos mercados de ações. Vemos isso no Brasil e queremos tornar esse mercado mais competitivo, porque vemos no País uma grande oportunidade para atuar", afirmou. As ações da BM&FBovespa caíram quase 5% ontem em reação à notícia.

A Bats Brasil disse que deve negociar inicialmente ações, mas Conklin reconheceu que pode, em um segundo momento, negociar também derivativos (mercado em que se pode comprar ou vender contratos financeiros que, como diz o nome, derivam de um ativo real).

Inicialmente, as ações negociadas serão das mesmas companhias listadas na BM&F Bovespa. Mas Conklin admitiu que também poderá haver empresas listadas diretamente na Bats Brasil. "Temos soluções para atuar no mercado secundário. Mas nosso foco não está no mercado primário (primeiro degrau para uma empresa ter seus ativos negociados no mercado)", disse.

Conklin disse ainda que a Bats não cogitou a possibilidade de algum tipo de parceria com a BM&FBovespa quando pensou em atuar no Brasil. "Não acreditamos que isso traria uma real competitividade", afirmou.

Ele se negou, no entanto, a comentar se em algum momento a Bats teve conversas com a BM&FBovespa antes de decidir pela abertura de uma bolsa própria.

Conklin disse que a Bats olha com interesse outros mercados emergentes, como China e Cingapura, mas afirmou que, por enquanto, só há planos de entrar no mercado brasileiro. "Nosso foco hoje é o Brasil. É lá que vemos grandes oportunidades."

Ele também observou que a Claritas não será necessariamente sócia da nova bolsa quando a empresa sair do papel. O executivo frisou que, por ora, o que existe é um memorando de intenções para desenvolver uma nova companhia.

A Claritas é uma das maiores gestoras independentes de recursos do País, com cerca de R$ 3 bilhões administrados, sobretudo em fundos de ações. Gestor independente é aquele que não faz parte de nenhuma instituição financeira. No Brasil, os maiores administradores são os ligados aos grandes bancos de varejo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.