BNDES ainda analisa participação em oferta de ações da BRF

Segundo Luciano Coutinho, potencial da nova empresa deve atrair investidores e banco pode não participar

Anne Warth e Tatiana Freitas, da Agência Estado,

25 de maio de 2009 | 19h10

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse nesta segunda-feira, 25, que a instituição ainda vai analisar se participará da oferta pública de ações da Brasil Foods (BRF), companhia que resultou da fusão da Perdigão e da Sadia. Na avaliação dele, o interesse do mercado em aderir à oferta será grande, dispensando a participação da instituição pública.

 

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"Eu acredito inclusive, pela atratividade e potencial dessa nova empresa, que é possível que o BNDES nem participe", afirmou, ao gravar nesta segunda-feira, 25, pela manhã entrevista no programa da TV Cultura Roda Viva, que vai ao ar às 22h10.

 

"Como a (nova) empresa precisa fazer uma chamada de capital para reduzir dívidas, o que é normal, nós poderemos entrar ou não. É uma oferta pública. Vamos participar como qualquer investidor com o objetivo de ganhar com a valorização da empresa. Vamos analisar se é necessário ou não", acrescentou.

 

Coutinho ressaltou que a fusão entre Sadia e Perdigão foi um processo que "não transitou pelo BNDES". "Foi uma operação totalmente privada. A fusão das duas empresas não dependeu de nenhum financiamento do BNDES", afirmou.

 

Coutinho foi questionado sobre se o BNDES iria "salvar" as empresas que perderam dinheiro com operações de derivativos de câmbio, avaliadas como "trambiqueiras" pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A VCP, por exemplo, assumiu o controle da Aracruz - que teve perdas significativas com derivativos - por meio da compra de participação que as famílias Lorentzen, Almeida Braga e Moreira Salles possuíam na Aracruz.

 

A operação teve a participação direta do BNDES por meio de um aporte de capital na VCP para viabilizar a aquisição da Aracruz. A expectativa era de que a instituição faria o mesmo na fusão entre Sadia e Perdigão, o que não ocorreu. A Sadia, assim como a Aracruz, admitiu no ano passado prejuízos com operações de derivativos cambiais.

 

"Qualquer ajuda do BNDES à reestruturação dessas empresas (VCP e Aracruz) tinha como condição indispensável uma prévia reestruturação dessas dívidas. Essas dívidas foram reestruturadas e refinanciadas no longo prazo com o sistema bancário privado e apenas depois disso é que nós pudemos apoiar as empresas no sentido de restabelecer sua capacidade de investimento", esclareceu.

 

Segundo ele, a diferença entre ajudar as empresas antes e depois da reestruturação das dívidas com derivativos é "da água para o vinho". "É muito diferente, qualitativamente diferente porque, se nós ajudássemos antes, os recursos do banco seriam utilizados para pagar os prejuízos", frisou. Coutinho destacou que o aporte de capital na VCP para viabilizar a compra da Aracruz, além de condicionado, foi feito a custos de mercado pela BNDESPar. "Inclusive as empresas reclamaram. Mas, com a recuperação e investimento dessas empresas, vamos transformar isso em dividendos e ganhos para o BNDES e para o Tesouro brasileiro porque, em última instância, os lucros do BNDES vão para o Tesouro", afirmou.

 

"O que os senhores imaginam que seria melhor para economia brasileira?", indagou. "Deixar empresas desse porte e importância para exportações e para a geração de empregos entrar em grave dificuldade e eventualmente quebrar? Claro que não", argumentou.

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