BNDES ainda não sabe se financiará a Varig

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda não decidiu se financiará alguma proposta de compra da Varig no leilão judicial, que deverá ocorrer em 60 dias. A companhia, no entanto, havia informado ontem que o banco poderia emprestar até 50% do valor da proposta. O presidente do BNDES, Demian Fiocca, afirmou nesta quinta-feira que o porcentual ainda não foi definido, assim como a participação do banco. Em entrevista coletiva, Fiocca descartou a possibilidade do banco adquirir alguma participação na companhia aérea. Segundo ele, o financiamento de até US$ 166 milhões para a Varig fazer o seu fluxo de caixa girar é coerente com a posição do governo sobre a solução para a companhia. "O que o governo federal tem dito é que não haveria dinheiro público para socorrer a empresa no sentido de que não haveria gastos de natureza fiscal", afirmou.O BNDES anunciou na última quarta-feira que financiará até dois terços do empréstimo-ponte total de US$ 250 milhões para que a Varig possa manter suas operações, até a realização de seu leilão de venda - que acontece daqui a dois meses. O investidor que obtiver este financiamento deverá repassá-lo para a companhia aérea imediatamente. O empréstimo do BNDES poderá ser usado pelo interessado na compra, para compor sua proposta no leilão.De acordo com nota divulgada ontem pelo BNDES, os investidores interessados deverão ser pré-qualificados pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil e atender aos critérios bancários do BNDES. Em função do prazo para a entrada dos recursos solicitados pelos atuais gestores da Varig ser exíguo, será exigida, como garantia ao financiamento, carta de fiança bancária, equivalente ao montante de financiamento a ser concedido pelo BNDES.Caso haja mais de um investidor que atenda às condições, o valor do financiamento será dividido proporcionalmente às propostas individuais aprovadas para os diferentes investidores. Devido à urgência do empréstimo-ponte, conforme solicitado pelos atuais gestores da Varig, somente serão considerados os investidores que formalizarem ao BNDES o interesse na obtenção da colaboração financeira até às 18h do dia 15 de maio.Proposta aprovadaNo modelo de venda aprovado ontem pelos credores da Varig, o investidor poderá escolher se pretende comprar a Varig operacional, que engloba os ativos totais da empresa (rotas nacionais e internacionais), ou apenas a parte doméstica. Ou seja, foi aprovada a unificação dos dois planos distintos, o elaborado pela consultoria Alvarez & Marsal e o do Trabalhadores do Grupo Varig (TGV). A proposta aprovada prevê ainda que a administração da Varig será trocada nos próximos 10 dias, incluindo a presidência e o Conselho. Segundo Marcelo Gomes, diretor da consultoria Alvarez & Marsal, que será a responsável pela mudança, todos os novos integrantes serão "profissionais do mercado".O prazo para a mudança já estava firmado pelo plano de recuperação da empresa e segue o cronograma de criação da principal estrutura de reorganização societária da empresa, o Fundo de Investimento em Participações (FIP) - que determina o controle e a conseqüente conversão das ações da Fundação Ruben Berta, acionista majoritária da Varig, com 87% dos papéis, para o FIP controle. Essa estrutura será gerida pelo banco Brascan.Demissões descartadasGomes também disse que a possibilidade de demissões em massa na Varig até o leilão de venda da companhia aérea foi descartada. "Agora, o que se fará é um estudo profundo para se preparar para as duas hipóteses de venda da companhia (a que engloba todos os ativos operacionais e a que oferece apenas a parte doméstica)", explicou ele.Segundo o executivo, não haverá necessidade de demissões se o investidor optar por adquirir a Varig Operacional - com todos os ativos. Já se a opção for para a parte doméstica, Gomes admite que haverá dispensas. Entretanto, não informa de quanto será o corte de funcionários.

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