André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

BNDES anuncia corte de juros e venda de R$ 10 bilhões em ativos

Dyogo Oliveira disse que spreads de risco serão reduzidos até a metade; banco pode vender mais de R$ 10 bilhões da sua carteira de ações

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2018 | 20h23

RIO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pode vender mais R$ 10 bilhões em ações neste ano, afirmou nesta terça-feira, 8, o presidente da instituição de fomento, Dyogo Oliveira. O banco também anunciou que reduzirá, até a metade, os spreads de risco que cobra na composição das taxas de juros de seus empréstimos.

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A ideia inicial era vender R$ 10 bilhões, mas o executivo acredita que o valor será superado. A estimativa não inclui os R$ 8,5 bilhões embolsados com a venda de parte de sua fatia na Fibria.

"Estamos trabalhando com a ideia de pelo menos R$ 10 bilhões em desinvestimentos (em 2018), mas acho que isso vai ser superado", disse Oliveira, em encontro com jornalistas na sede do banco, na manhã desta terça-feira

Sobre o corte, Dyogo Oliveira explicou que a redução foi possível porque houve queda na inadimplência e porque a instituição atualizou parâmetros na metodologia de cálculo de recuperação de crédito.

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Os juros do BNDES são formados numa composição do custo básico, que é a Taxa de Longo Prazo (TLP, que segue as taxas dos títulos públicos NTN-Bs), mais um "spread" básico e mais um "spread" de risco, no caso das operações diretas. Nas operações indiretas, o spread de risco é cobrado pelo banco repassador. Nas operações diretas, a queda no "spread" de risco ficará entre 25% e 50%, conforme a classificação de risco de cada cliente.

O BNDES possui a própria metodologia de classificação. Hoje, as empresas com melhores notas têm spread de cerca de 1%, disse o diretor financeiro do BNDES, Carlos Thadeu de Freitas. Já as firmas com as piores notas pagam cerca de 3,5%. No caso das operações indiretas, o spread de "intermediação financeira" do BNDES cairá do atual 0,23% ao ano para 0,15% ao ano.

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"Isso tudo é derivado da revisão das metodologias de análise de risco de crédito", afirmou o presidente Oliveira. "Mas o que estamos revendo é uma queda geral da inadimplência", completou o executivo.

Desde o início do ano, o BNDES vem num esforço de reduzir seus spreads. Oliveira admitiu que o movimento visa a fazer frente às quedas de custo de crédito, na esteira da redução dos juros básicos da economia. "Com essas reduções de spreads, a gente vai cada vez mais reduzindo as taxas finais para os clientes", afirmou o presidente do BNDES. "O BNDES está buscando ser mais eficiente, oferecer uma taxa final mais baixa para o cliente", completou.

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