Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

BNDES aponta lado positivo da crise, mas exportação preocupa

Até agora, a crise norte-americana não teve nenhum "efeito perceptível" sobre empréstimos, diz Coutinho

Fabio Graner e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

12 de fevereiro de 2008 | 13h10

O Brasil pode se beneficiar com uma recessão "média" nos Estados Unidos. Isso porque, segundo o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, haveria um processo de redução forte nos juros americanos, o que aumentaria a liquidez internacional (volume de recursos em circulação). Ele destaca que, até agora, a crise norte-americana não teve nenhum "efeito perceptível" sobre a demanda de empréstimos para investimentos. Contudo, reconhece que o governo está preocupado com a diminuição do saldo da balança comercial. Ele explica que o saldo das exportações tem crescido em ritmo menor do que as importações. Ele confirmou que estão sendo feitos estudos envolvendo os Ministérios da Fazenda, Desenvolvimento e o BNDES para estimular o aumento das exportações. A informação havia sido antecipada pela Agência Estado.  Coutinho evitou, entretanto, detalhar que tipo de medidas estão em discussões, informando apenas que uma das idéias é ajudar no financiamento de vendas externas de bens de capital, equipamentos e serviços. Ele destacou que hoje os empréstimos voltados para exportações já contam com condições favoráveis e os estudos servirão para melhorar estas linhas de financiamentos. Lado positivo Apesar da preocupação com o lado comercial do País, Coutinho acredita que a crise pode favorecer o mercado financeiro brasileiro, já que os investidores viriam atrás de juros mais atraentes, pois as taxas têm caído nos Estados Unidos. Segundo ele, o Brasil é visto como um dos destinos preferenciais dos recursos porque é uma das "últimas fronteiras de projetos de alto retorno e baixo risco". Na visão de Coutinho, se houver uma recessão fraca nos Estados Unidos, a situação econômica do Brasil seguirá a mesma. "Se for mais forte, paciência. Vai afetar todo o mundo. Mas os efeitos no Brasil serão menores do que no passado. Mas não é esse o cenário por conta das medidas que estão sendo tomadas nos Estados Unidos. A perspectiva é de uma crise de média intensidade, o que pode diferenciar o Brasil", disse após reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Coutinho disse ainda que até agora a crise norte-americana não teve nenhum "efeito perceptível" sobre a demanda de empréstimos para investimentos. Para ele, os números sobre a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) são bons e as perspectivas para o ano também são positivas. O presidente do BNDES deu especial ênfase para os projetos novos na área de infra-estrutura, sobretudo no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os investimentos de infra-estrutura estão demonstrando um dinamismo importante e um forte incremento e a expectativa é de que continue neste ritmo, afirmou. Entre projetos da área de energia, rodovias, hidrovias e outros, Coutinho estima desembolso de R$ 40 bilhões para 2008 e, em uma perspectiva de três anos, em R$ 133 bilhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.