BNDES aprova crédito de R$ 2,4 bi para a Braskem

Operação integra uma modalidade de financiamento especial que o banco concede a empresas consideradas estratégicas pelo governo

ALEXANDRE RODRIGUES / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2011 | 03h04

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um limite de crédito de R$ 2,46 bilhões para a Braskem, companhia petroquímica controlada pela Odebrecht e pela Petrobrás. O montante é equivalente a pouco mais da metade do valor total do plano de investimentos da empresa até 2013. No entanto, os desembolsos serão condicionados a projetos específicos.

A operação, divulgada ontem pelo BNDES, integra uma modalidade especial de financiamento que o banco concede a grandes empresas com quem tem longo relacionamento, detentoras de boa nota de classificação de risco (grau de investimento) e consideradas estratégicas pelo governo para o desenvolvimento de setores econômicos. Fazem parte desse grupo Petrobrás, Vale, Gerdau, Usiminas, Suzano e Pão de Açúcar.

"A Braskem passou a ser a maior empresa química do País, que é um segmento muito importante. É um setor que tem uma influência muito grande em outras indústrias, em diversos segmentos da economia", disse Gabriel Gomes, gerente do setor de petroquímica do BNDES.

O BNDES incentivou a aquisição da Quattor pela Braskem como sócio das duas empresas e tem apoiado o plano de expansão da companhia resultante, que passa pela compra de empresas no exterior. Gomes disse que o limite funciona como crédito pré-aprovado, mas não pode ser utilizado para comprar ativos.

"Aquisições são sempre apoiadas com recursos captados no mercado pelo BNDES. São outras linhas", frisou.

Limite. O limite, cuja origem dos recursos têm relação com empréstimos do Tesouro ao BNDES, ficará disponível por dez anos. Os recursos serão liberados para a Braskem mediante a apresentação de projetos do seu plano de investimentos como os de implantação, ampliação e modernização de plantas industriais, compra de equipamentos, programas de contrapartida social e ambiental e inovações.

De acordo com Gomes, projetos da Braskem que o BNDES já apoia, como a expansão da fábrica de PVC em Alagoas (crédito de R$ 525 milhões), não estão computados no novo limite de crédito. "São investimentos em unidades da companhia em todo o País, como a Quattor, no Rio. Novos projetos de química verde, que são de porte menor, podem entrar nesse limite, mas ainda não temos destacados quais serão os projetos que eles vão encaminhar", disse Gomes.

Segundo Gomes, a Braskem e as empresas que comprou nos últimos anos já tinham outros limites de crédito no BNDES. A nova operação unifica e aumenta o montante disponível para a empresa no banco.

A decisão foi tomada a partir de conversas com a Braskem sobre o plano de investimentos, que somam R$ 4,27 bilhões até 2013. A meta da empresa era investir R$ 1,6 bilhão em 2011. Procurada pelo Estado, a Braskem não comentou a operação.

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