BNDES apura expectativa menor para investimento direto em 2003

A projeção média dos Investimento Direto Estrangeiro (IDE) para este ano, levantada pelo BNDES junto a bancos e consultorias, ficou abaixo da barreira dos US$ 10 bilhões. A previsão do estudo, concluído esta semana, é de US$ 9,9 bilhões, menor do que os US$ 11 bilhões do mês anterior e praticamente metade do projetado em agosto do ano passado para 2003, de US$ 18,7 bilhões. A gerente da área de planejamento do BNDES, Ana Cláudia Além, explica que a redução dos investimentos diretos já era esperada. "O Brasil não conseguiria manter os recordes do fim dos anos 90", afirma a economista. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos sobre Empresas Transnacionais e Globalização (Sobeet), Antônio Corrêa de Lacerda, os setores no País com potencial para receber investimentos, atualmente, carecem de regulamentação, como os de energia elétrica, saneamento e infra-estrutura em geral. Do ponto de vista global, há quedas no fluxo global de investimento, explica Lacerda. "Talvez a única exceção seja a China, que abriu-se relativamente há pouco tempo", pondera o presidente da Sobeet. Segundo o economista, a aversão ao risco continua no mundo e a situação de caixa das corporações internacionais ainda não é boa. Ainda assim, a Sobeet projeta investimentos diretos no País de US$ 10 bilhões, dos quais 40% deverão ocorrer no primeiro semestre e os 60% restantes ao longo do segundo. Até maio deste ano, o investimento direto estrangeiro acumula US$ 3,3 bilhões. O Banco Central, que trabalhava com a hipótese de ingresso de investimentos de US$ 13 bilhões, já ajustou sua estimativa para US$ 10 bilhões. Na avaliação da economista do BNDES, estes valores são mais do que suficientes para financiar o déficit de transações correntes. "Será mais do que coberto pelos US$ 10 bilhões que devem entrar", afirmou. Inflação Já as previsões captadas pelo BNDES sobre o comportamento da inflação mostram que os índices de preços ao consumidor deverão convergir com o índice geral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) - que também mede a variação no atacado. Para 2003, a projeção média das instituições consultadas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 10,90%. No caso do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), da FGV, fica em 11,17%. Em 2004, o primeiro fecharia em 6,49% e o segundo em 7%.

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