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BNDES autoriza R$ 6,1 bi para Angra 3

Empréstimo corresponde a 58,6% do valor total da usina, em construção na cidade de Angra dos Reis, ao lado de outras duas plantas existentes

Alexandre Rodrigues e Nicola Pamplona, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2010 | 00h00

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concedeu à Eletronuclear financiamento de R$ 6,1 bilhões para a construção da usina nuclear Angra 3, no litoral sul fluminense. O montante, definido pela diretoria do banco na terça-feira e anunciado ontem, corresponde a 58,6% do investimento total do projeto.

Localizada no complexo da Eletronuclear, em Angra dos Reis, onde estão em operação as outras duas plantas nucleares do Brasil, a obra já foi iniciada e deve ser concluída em 2016. O financiamento do BNDES, um dos maiores aprovados pelo banco para o setor de energia, corresponde à parte em moeda nacional do financiamento.

Concorrência. A Eletronuclear ainda faz uma concorrência para o financiamento de 900 milhões, valor correspondente à compra de equipamentos no exterior, que está sendo disputado por consórcios de bancos.

Segundo fontes da estatal, a tendência é que um consórcio francês seja vencedor, uma vez que os equipamentos são franceses. A venda de energia, que era um empecilho à concessão do financiamento, foi resolvida com uma portaria do Ministério de Minas e Energia que classifica a produção de Angra 3 como "energia de reserva" e estabelece uma tarifa de R$ 148,65 por MWh, uma categoria que gera o tempo todo, independente do custo. A portaria é suficiente para garantir o empréstimo.

O valor do financiamento do BNDES para Angra 3 é o equivalente a metade dos R$ 12,1 bilhões que o banco liberou entre janeiro e novembro deste ano para projetos de energia elétrica. Em relação aos pedidos de financiamento aprovados no período, que somaram R$ 8,9 bilhões, o crédito para Angra 3 chega a quase 70% e vai elevar a perspectiva de desembolso do banco para o setor no ano que vem. A contratação e o início das liberações só vão ocorrer em 2011.

No último dia 3, o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, e o presidente da Eletronuclear, Othon Silva, estiveram no canteiro de obras para inaugurar uma placa comemorativa da retomada das obras de Angra 3, paralisadas antes da conclusão do programa nuclear que ergueu Angra 1 e 2.

As obras civis estão em ritmo acelerado. A fundação já ficou pronta. A Eletronuclear já renegociou os principais contratos e, entre os grandes contratos, falta apenas o de montagem, que será licitado ano que vem. Esse contrato vale R$ 1,5 bilhão.

A usina, que faz parte das obras do PAC, terá potência instalada de 1.405 megawatts (MW), e será conectada ao Sistema Interligado Nacional por meio da linha de transmissão que já atende às usinas Angra 1 e 2, informou o BNDES. No projeto, a subestação do complexo nuclear de Angra será ampliada para permitir o aumento de carga.

O BNDES justificou o seu apoio financeiro ao projeto por conta da estimativa de aumento da disponibilidade de energia elétrica com a possibilidade de geração de 10,9 milhões de MWh/ano. O banco também ressaltou o impacto econômico para a região de Angra com os investimentos previstos para os próximos cinco anos e o fato de a energia nuclear não emitir gases de efeito estufa.

Retomada. Depois de uma onda de paralisação, a energia nuclear voltou a ganhar importância no mundo todo. Hoje estão em construção mais de 50 unidades em todo planeta e há outras 480 usinas em planejamento, que deverão estar funcionando nas próximas décadas.

PARA LEMBRAR

Após duas décadas sem nenhuma intenção de tornar o País uma potência nuclear, o governo agora pretende construir novas usinas nucleares nos próximos 20 anos para aumentar para 7.400 megawatts (MW) a geração de energia nuclear no País.

Com a tragédia de Chernobyl, em 1986, o governo suspendeu as obras de Angra 3. Além do temor de acidente, o governo tinha dificuldades financeiras. Assim, o programa nuclear era inviável.

Angra 2 também quase foi inviabilizada. Duas décadas se passaram entre o início da obra, em 1981, e sua inauguração, em 2001.

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