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BNDES busca Cepea para avaliar mercado pecuário

O indicador de preço do boi gordo do Cepea é referência para o mercado

O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2017 | 11h27

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, acionista dos principais frigoríficos do País, marcou para o dia 30 uma reunião com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Apesar de o banco informar que o encontro, em Piracicaba (SP), “é uma visita de acompanhamento” e que “não há nada de especial”, a última consulta do gênero feita pelo BNDES foi há dois anos. O indicador de preço do boi gordo do Cepea é referência para o mercado. A crise no setor este ano comprometeu a captação de dados nas praças produtoras, pois houve até períodos em que frigoríficos deixaram de comprar. Em maio, com a delação da JBS, a cotação caiu 4,6%, a maior retração no mês em 20 anos. O BNDES detém 33,7% da Marfrig e 21,3% da JBS.

De grife. O touro Destino, um nelore puro da linhagem Golias, foi embarcado semana passada para os Emirados Árabes Unidos no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (foto). Um investidor adquiriu o reprodutor e mais 110 bovinos de 18 raças para dar início a rebanho próprio. 

Banco valioso. A CRI Genética, que detém os direitos sobre a comercialização do sêmen do touro, ainda manteve estoque suficiente do material para atender o mercado interno, diz a gerente de Produto Corte, Juliana Ferragute. “O Destino está conosco desde 2014 e seu sêmen sempre foi muito procurado”, diz. “Não é de surpreender que tenha chamado a atenção lá fora.”

Ração mais cara. A Associação Nacional de Pecuária Intensiva (Assocon) avalia qual será o peso da menor oferta de milho para o setor em 2018 e o reflexo no total de gado a ser engordado em cochos. O gerente executivo da entidade, Bruno Andrade, conta que associados estão sendo ouvidos na primeira pesquisa de intenção de confinamento para o ano que vem. Os dados serão apresentados pela Assocon em 5 de dezembro.

Balcão de negócios. Os preços que a indústria oferece pela laranja da safra 2018/2019 não atraem vendedores. Em São Paulo e Minas Gerais, os maiores produtores mundiais, a proposta é de R$ 20 a caixa de 40,8 quilos. Na atual safra, o valor variou de R$ 16 a R$ 20. Citricultores apostam em uma oferta menor da fruta e aguardam nova investida das empresas, já que a colheita começa só no 2.º trimestre de 2018.

Não deu. A tímida demanda por armazéns para produtos agrícolas no Brasil é apontada por Greg Peterson, diretor de Relações com Investidores da AGCO, como uma das razões para a companhia ter desistido da compra de participação na Kepler Weber. A rescisão foi comunicada na última terça-feira. À coluna, Peterson disse que “as fracas condições do mercado (brasileiro de armazenagem) dificultaram a avaliação da empresa”.

Para depois. No longo prazo, o mercado local de silos continua atraente, diz Peterson. “Continuaremos trabalhando para expandir o negócio de forma orgânica e buscando oportunidades de aquisição.”

Foco. As indústrias que processam pescados estão otimistas com a criação, dentro do Ministério da Agricultura, da Câmara Setorial da Produção e da Indústria de Pescados. A Secretaria de Aquicultura e da Pesca, antes vinculada ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, não estava dando conta das demandas, segundo Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados. A Abipesca reúne 15 empresas que faturam R$ 10 bilhões por ano e são grandes consumidoras de ração à base de soja. 

Novos tempos. Uma das demandas da Abipesca é a atualização das regras de licenciamento da pesca e a concessão de novas outorgas para uso de águas da União. Lobo argumenta que “algumas licenças estão obsoletas”. “Os peixes migram, surgem outras espécies.” Na sua avaliação, com as mudanças, as exportações do setor poderiam saltar de US$ 200 milhões para US$ 10 bilhões em dez anos. 

Vai subir... Produtores devem assegurar já os fertilizantes fosfatados. O consultor da FCStone Marcelo Mello diz que os preços devem continuar subindo até março, puxados pelo fechamento da planta da Mosaic nos Estados Unidos por um ano, pelo adiamento da operação de uma unidade da OCP, no Marrocos, e pela possibilidade de a China voltar a importar o produto. 

...e também cair. Já os preços da ureia, adubo usado no milho, estão em queda. O governo indiano cancelou concorrência para compra de 800 mil toneladas. Se a Índia não fizer nova concorrência, as cotações só devem reagir entre janeiro e fevereiro, com a demanda dos Estados Unidos.

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