BNDES busca investidor para salvar grupo de Eike

Prioridades são o Porto de Açu e a empresa de mineração MMX; banco não participa da busca de soluções para a empresa de petróleo OGX

IRANY TEREZA / RIO , O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2013 | 02h53

A busca por investidores para projetos do grupo EBX passou a contar com a contribuição efetiva do BNDES, segundo duas fontes que acompanham as negociações. Entre as prioridades, estão o Porto do Açu e ativos da empresa de mineração MMX. O banco não participa, porém, da busca de soluções para a OGX, a empresa de petróleo que era a maior aposta de Eike Batista e tem sido a principal causa da derrocada do grupo.

Empresas do setor automotivo encabeçam os esforços do banco na busca por novos investidores no Porto do Açu, no município de São João da Barra, no Rio. A avaliação é que, com 70% dos investimentos já prontos, o porto pode ser concluído com financiamento do banco, já com novos empreendedores.

A fabricante chinesa de caminhões Foton Motors, que anunciou no início do mês o projeto de uma montadora no Rio, tendo como opções as cidades de Seropédica ou Itatiaia, pode ter o alvo desviado para o Açu. Com condições diferenciadas de financiamento, outras duas empresas automobilísticas estariam sendo sondadas. Outro setor atraente é o da indústria farmacêutica. Já houve tentativas com representantes da indústria de alimentos e de eletrodomésticos da linha branca.

Antes da fase mais profunda da crise do grupo X, a área técnica do BNDES estava avaliando um empréstimo de longo prazo para o porto, que teve a análise suspensa até a definição da situação do empreendimento. O empréstimo-ponte de R$ 518 milhões - em duas parcelas, a última em dezembro de 2012 -, que fez parte desse pacote, vence em setembro, quando o banco esperava a aprovar o financiamento definitivo.

Há um ano, em seu relatório de resultados, a LLX informava que o investimento total estimado para o Superporto do Açu, considerando o acordo para a instalação da Unidade de Construção Naval da OSX, totaliza R$ 3,8 bilhões, dos quais R$ 974 milhões para a LLX Minas-Rio e R$ 2,8 bilhões para a LLX Açu.

No BNDES, o Porto do Açu é tido como "ativo bom". Mas o projeto, concebido como polo industrial e não apenas uma zona portuária, tem sofrido com os revezes de Eike. A intenção é só retomar o programa na certeza de que as áreas serão ocupadas por empreendimentos. "O Porto do Açu vai sair sozinho. Não precisa de incentivos", diz o secretário estadual de Desenvolvimento, Julio Bueno.

MPX. Dentro de um mês deve ser concluído o aumento de capital da MPX, empresa de geração de energia elétrica que terá o nome alterado para desvincular a empresa definitivamente da marca de Eike Batista. A alemã E.On, que passou a deter 36% da companhia, já informou que aportará R$ 400 milhões, como parte do aumento de capital de R$ 800 milhões.

No BNDES, segundo uma fonte ouvida pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, há intenção de acompanhar o aumento e o banco ainda avalia a possibilidade de elevar sua participação na empresa. A MPX mereceu mais da metade dos R$ 10,7 bilhões destinados pelo banco às empresas do grupo X. É considerada uma empresa líquida e com bom retorno.

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