BNDES chama espanhóis para leilões no Brasil

Luciano Coutinho fala a investidores sobre concessões rodoviárias e Projeto Madeira.

Anelise Infante, BBC

16 de setembro de 2007 | 16h30

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Madri está servindo também para que o governo brasileiro tente convencer os investidores espanhóis a participar de dois leilões que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) promoverá em outubro: o de concessões rodoviárias e o do polêmico Projeto Madeira.Nesta segunda-feira, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, explicará aos investidores as condições de financiamento de ambos os projetos. Ele dará uma palestra no seminário empresarial "Perspectivas da Economia Brasileira".O primeiro leilão inclui sete lotes de concessões rodoviárias e trechos de rodovias federais. O segundo, marcado para 30 de outubro, é o do Projeto Madeira, que ainda está sujeito a liminares de última hora pelas ameaças dos grupos ambientalistas."A licença está concedida. O governo espera que os grupos espanhóis se associem, mas seria preciso perguntar à ministra (da Casa Civil) Dilma Rousseff se esse leilão será adiado ou não", disse Coutinho.O projeto prevê a construção de um complexo de quatro usinas hidrelétricas, começando pelas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, com capacidade total de geração de 6450 MW e uma malha rodoviária de 4,2 mil quilômetros na Amazônia.Segundo os informes do governo, as barragens do Rio Madeira serão fundamentais para evitar apagões na próxima década.O projeto tem sido criticado por ambientalistas, provocou demissões no Ibama e enfrentou os Ministérios do Meio Ambiente e o de Minas e Energia.De acordo com as previsões da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), os custos para a construção das duas barragens está estimado em R$ 43 bilhões.Coutinho comentou também sobre as negociações dos dois grupos europeus que estão tentando comprar o banco holandês ABN-Amro, dono do Banco Real.No sábado, o presidente do Banco Santander, Emilio Botín, disse a políticos brasileiros que as conversas estão encaminhadas, mas nenhum acordo foi assinado ainda.Um dos grupos está formado pelo consórcio que inclui o espanhol Santander, o escocês Royal Bank of Scotland e o belga-holandês Fortis. O concorrente é o Barclays , numa disputa que já dura cinco meses.Segundo o presidente do BNDES, "o setor bancário brasileiro não é tão concentrado como em outros países e esta compra não significará um impacto suficiente para provocar uma intervenção para investigar o excesso de concentração de negócios".Se a venda do ABN-Amro for confirmada, o Banco Real passará do quarto ao segundo ou terceiro lugares entre as maiores instituições bancárias no Brasil, de acordo com as previsões do BNDES.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.