BNDES cobra dívida de empresa de energia dos EUA

O refinanciamento da dívida da norte-americana AES, controladora da Eletropaulo, está fora de cogitação, afirmou hoje o presidente do BNDES, Carlos Lessa. Ele não confirmou a informação de que a multinacional já teria US$ 85 milhões para pagar uma parcela devida ao banco. Segundo ele, a dívida não se reduz a apenas US$ 85 milhões. "Que eu saiba, tem mais uns US$ 300 milhões que estão vencidos", disse.Durante a abertura de um seminário no BNDES, Lessa se comparou a um hortelão (agricultor que trata de hortaliças), tamanha a quantidade de "pepinos" que encontrou no banco. "A cadeira que assumi há cerca de 100 dias não é muito confortável. Imagino ter-me convertido em um hortelão, tal a quantidade de pepinos que venho colhendo, uma safra muito abundante de problemas", disse.Ele negou a possibilidade de um novo pacote de socorro às empresas elétricas e voltou a demonstrar que o banco não pretende abrir mão de receber todos os créditos que adquiriu em favor da AES. A dívida total da AES com o BNDES é de cerca de US$ 1,2 bilhão. Uma das parcelas, de US$ 85 milhões, venceu em 31 de janeiro, e uma segunda, de US$ 330 milhões, em 28 de fevereiro.Pela legislação, o banco tem 90 dias, desde a primeira data de inadimplência, para executar a dívida, prazo que se encerra em 30 de abril.O vice-presidente do BNDES, Darc Antônio da Luz Costa, que vem coordenando as negociações com a AES, declarou que "não há o menor risco" de a instituição vir a reduzir os créditos em razão da inadimplência da AES no patrimônio do banco.

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