Andressa Anholete/AFP
Andressa Anholete/AFP

BNDES quer reforçar captação de recursos no mercado doméstico

Banco vê espaço para levantar R$ 10 bi por ano e se preparar para fase de devolução de recursos ao Tesouro Nacional

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2018 | 15h57

BRASÍLIA - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai investir em captações no mercado doméstico para lidar no futuro com o cenário de devolução antecipada dos empréstimos do Tesouro Nacional. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o banco avalia que há espaço no mercado brasileiro para uma captação anual de pelo menos R$ 10 bilhões em de Letras Financeiras (LF), que são títulos de renda fixa emitido por instituições financeiras com a finalidade de captar recursos de longo prazo. 

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Em maio, o banco fez a primeira emissão desse tipo e, mesmo sem publicidade, registrou um forte interesse dos investidores. A operação marcou uma mudança de estratégia para reforçar as captações no mercado doméstico e mostrar o apetite dos investidores pelos papéis do banco estatal, que tem como único acionista a União. As captações externas são vistas pelo BNDES como mais caras por causa dos encargos tributários que incidem sobre os juros pagos e o banco se volta para o mercado interno.

O BNDES avalia que as LFs têm características “muito semelhantes” aos papéis emitidos pelo Tesouro e que o banco tem todas as condições de captar com custo competitivo e barato com esses papéis, sem depender dos empréstimos do Tesouro, concedidos nos governos do PT, e que estão sendo pagos antecipadamente.

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O reforço nas captações domésticas é uma preparação para o cenário dos próximos anos de devolução dos empréstimos. Como mostrou o Estadão/Broadcast, o banco está próximo de fechar uma negociação com o Ministério da Fazenda que pode antecipar em 20 anos o pagamento dos empréstimos feitos pelo Tesouro. Uma das alternativas prevê a devolução de cerca de R$ 25 bilhões por ano até 2040. A outra opção é antecipar o pagamento em 15 anos, até 2045. 

Depois de reunião com o presidente Michel Temer, o presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, confirmou as negociações. Segundo ele, o banco vai acelerar a devolução de R$ 250 bilhões de empréstimos concedidos pelo Tesouro à instituição. “Estamos discutindo com o Tesouro como antecipar o pagamento e ter um fluxo mais equilibrado ao longo do período.”

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