André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

BNDES continuará acionista da Embraer e não terá participação em nova empresa

Segundo Dyogo Oliveira, não foi colocada a opção de que os acionistas da Embraer tivessem participação na nova empresa

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2018 | 14h17

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo Oliveira, disse que o BNDES continuará sendo acionista da Embraer mas não terá participação na nova empresa que será formada após acordo com a Boeing. "A Embraer terá uma participação nessa nova empresa, mas os acionistas não terão participação direta", afirmou.

+ Sindicato dos Metalúrgicos pedirá veto a venda da Embraer para Boeing

+ Ação da Embraer cai mais de 15% após anúncio de acordo 

Segundo Oliveira, não foi colocada a opção de que os acionistas da Embraer tivessem participação na nova empresa. O BNDES tem 5% das ações da Embraer e é o maior financiador das exportações da empresa. Perguntado sobre se tem intenção de vender participação na Embraer, Dyogo disse que não fala sobre esse tipo de operação antes de ser concluída para não afetar o mercado.

+ ENTREVISTA 'Chegamos a um formato que atende a todos os interesses', diz presidente da Embraer

+ Empresas correm para apresentar proposta ao governo até o fim do ano

O presidente reforçou que o banco não participou das negociações com a Boeing, mas apenas assessorou o governo em questões relativas à golden share, ação da União que dá direito a veto em questões como transferência de controle acionário.

+ Analistas avaliam acordo como positivo, mas esperam valorização

"As informações que temos enquanto acionista são semelhantes ao que tem o mercado, há uma separação de funções. Participamos até um certo ponto nas discussões com o governo, mas não tínhamos conhecimento prévio dos detalhes", afirmou.

Oliveira disse ainda que o acordo com a Boeing é uma solução positiva para uma questão "inexorável", que é o acirramento da competição nesse mercado após a compra da Bombardier pela Airbus. Ele disse que a operação representou "sérios riscos" à continuidade das atividades comerciais e tecnológicas da Embraer e que a associação da Boeing preserva a capacidade de ter desenvolvimento de aeronaves no Brasil.

+ Ação da Embraer cai mais de 15% após anúncio de acordo com a Boeing

"A aquisição da Bombardier pela Airbus desequilibrou o mercado e deixou pouco espaço para uma empresa do tamanho da Embraer competir isoladamente. A associação com a Boeing nos parecer muito positiva para permitir a continuidade dos trabalhos da Embraer e da produção de aeronaves e desenvolvimento de tecnologia no Brasil", completou.

Para o presidente, a golden share e o poder de veto do governo estão "plenamente preservados" com o acordo, que foi desenhado para garantir isso deixando de fora os negócios militares e de jatos executivos. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.