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BNDES critica investimento da PT e pede explicações sobre operação

Imbróglio. Acionista da Oi, empresa que está em processo de fusão com a Portugal Telecom, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social afirmou que vê 'inconsistências com padrões mínimos de governança' em investimento feito pela PT na Rioforte

MARIANA SALLOWICZ / RIO , O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2014 | 02h05

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) quebrou o silêncio sobre o impasse em torno dos 897 milhões que a Portugal Telecom investiu na Rioforte, empresa com problemas de caixa que faz parte do grupo Espírito Santo, sócio da operadora de telefonia portuguesa.

Ontem, em nota, o BNDES classificou as aplicações na Rioforte como "inconsistentes com padrões mínimos de boa governança corporativa" e revelou que já pediu informações detalhadas sobre a transação. Os desdobramentos da crise gerada pela expectativa de calote da Rioforte na PT são importantes para o banco brasileiro, porque ele é sócio da Oi - empresa que está em processo de fusão com a Portugal Telecom.

O negócio veio à tona na semana passada, quando os sócios brasileiros da Oi (BNDES, Previ, AG Telecom e La Fonte) ficaram sabendo da transação entre a Rioforte e a PT. A operação causou desconforto aos acionistas brasileiros e levou à renúncia de dois representantes da Oi no conselho de administração do grupo português.

As aplicações em títulos da Rioforte somam 897 milhões. A maior parte ( 847 milhões) tem vencimento na próxima terça-feira e, o restante ( 50 milhões), no dia 17.

O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, informou na quinta-feira passada que, caso o calote se confirme, os sócios brasileiros não estão dispostos a arcar com o prejuízo. O recado do BNDES ontem confirmou a preocupação dos acionistas.

O banco de fomento afirmou que não considera nenhuma alternativa que não seja a preservação dos interesses dos acionistas da Oi, "ao mesmo tempo em que renova sua confiança na atual gestão da companhia". A operadora brasileira já declarou que não foi informada nem participou das decisões do investimento.

Uma das soluções cogitadas é a redução da fatia da PT na CorpCo, empresa que surgirá da fusão com a Oi. O porcentual cairia dos 38% previstos inicialmente para 20% no pior cenário.

Ações. O mercado reagiu novamente às notícias sobre o imbróglio. As ações da Oi registraram a maior queda do Ibovespa. As ações preferenciais da operadora tiveram desvalorização de 5,68% e acumulam retração de 21,70% no mês.

Além disso, a UBS e o Citigroup reduziram as suas participações na Portugal Telecom. A UBS vendeu 1,3 milhão ações ordinárias, em 26 de junho, e passou a deter 4,88% do capital social. O Citigroup fez duas operações que resultaram na redução da participação para 1,91%.

No Banco Espírito Santo, a gestora de recursos BlackRock reduziu a sua fatia do capital social para 4,65%. A venda das ações ocorreu no dia 2 de junho. Com isso, o BlackRock passa a ter 261,4 milhões de ações do BES.

Ontem, como mais um reflexo da crise, o empresário Patrick Monteiro de Barros deixou o conselho de administração da holding financeira Espírito Santo Financial Group.

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