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BNDES defende investimentos na JBS com visão estratégica e entrega de resultados

Banco considera ter cumprido seu papel de promover as chamadas 'campeãs nacionais', afirmando ter garantido retorno financeiro de R$ 4,941 bilhões entre 2006 e 2015

Renato Oselame, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2015 | 14h52

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) defendeu em relatório sua estratégia de investimento na JBS. No documento, preparado neste segundo trimestre, mas sem data de publicação, o banco considera ter cumprido seu papel de promover as chamadas "campeãs nacionais", afirmando ter garantido retorno financeiro de R$ 4,941 bilhões entre 2006 e 2015. O montante representa o valor das participações remanescentes do BNDESPar (R$ 12,288 bilhões) e seus recebimentos (R$ 5,043 bilhões) em relação aos desembolsos (R$ 12,390 bilhões).

A argumentação do BNDES se baseia em estudo do professor John Wilkinson, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), para quem os aportes financeiros do banco na JBS são "coerentes com a visão estratégica" da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Ele, porém, se diz preocupado com a concentração do setor frigorífico. 

Em sua pesquisa, Wilkinson entrevistou o presidente da JBS, Wesley Batista, o presidente do Conselho de Administração da empresa, Joesley Batista, além de representantes de subsidiárias da companhia e do BNDESPar. O professor também diz ter recebido documentos do BNDES sobre as operações, mas que estes resguardam "naturalmente compromissos de confidencialidade".

Em maio, o BNDES foi obrigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a fornecer os dados sigilosos ao Tribunal de Contas da União (TCU). Wilkinson afirma que o apoio do BNDES ajudou "decisivamente a transformar a JBS em empresa líder mundial de carnes", atuando sobretudo em sua internacionalização e na diversificação de proteínas - qualidades reconhecidas como diferenciais por analistas de mercado hoje.

Os aportes financeiros "foram claramente coerentes com a visão estratégica para o setor de carnes" e "tiveram sinergias positivas com o mercado financeiro", afirma. O acadêmico também pondera que as aquisições feitas pela JBS criaram um concorrente à altura para a BRF em carnes processadas e pratos prontos, o que "aumenta a competitividade desse segmento".

Concentração. No entanto, Wilkinson destaca que o apoio do BNDES à JBS contribuiu para a concentração do mercado frigorífico no Brasil. Entre 2007 e 2011, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou 13 atos de concentração da JBS - o órgão regulador entendeu que a companhia não deveria deter mais de 20% do mercado nacional.

Em estudo feito em 2012 a Scot Consultoria afirma que a empresa não estaria em situação de monopólio ou oligopólio no País, pois teria controle de 17% deste mercado. Contudo, Wilkinson ressalva que outras avaliações, que consideram a atuação local da JBS, indicam o contrário. Estudos da própria Scot e da Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul), por exemplo, sugerem que a empresa detém 46% dos abates no Estado. "Análises mais recentes indicam que a JBS pode contar com em torno de 40% do mercado nacional", afirma, sem citar fontes.

Na conclusão do estudo, o professor da UFRRJ reconhece pontos positivos no processo de consolidação do setor frigorífico, como a redução dos abates informais, que representavam 50% do mercado na década de 90 e caíram para 8,70% no primeiro trimestre de 2014, segundo dados do IBGE.

Ainda assim, afirma que é preciso "monitoria contínua para evitar o exercício de poder econômico tanto em relação aos fornecedores de gado quanto aos consumidores finais". Wilkinson também considera "medida importante" a promoção de pequenos e médios abatedouros visando mercados locais, inclusive com o apoio do BNDES.

Comentário. O relatório do BNDES traz, ainda, comentário de André Salcedo, assessor chefe da diretoria responsável pelas áreas de indústria, mercado de capitais e capital empreendedor do banco. Ele diz que o apoio do banco "objetivou dar dimensão empresarial e internacional" às vantagens competitivas do Brasil no setor. Salcedo foi o responsável pela gestão da carteira do BNDESPar no setor de alimentos e bebidas, agroindústria e varejo entre 2008 e 2013.

Segundo o assessor, os aportes conferiram às empresas capacidade financeira e apoio estratégico para aproveitar oportunidades de investimento no Brasil e no exterior. Entre 2007 e 2009, o BNDESPar investiu R$ 8,1 bilhões para ajudar a JBS na aquisição de empresas com as norte-americanas Swift (2007), Smithfield Beef (2008), Five Rivers (2008) e Pilgrim's Pride Corporation (2009), além da fusão com o Bertin, no Brasil.

Salcedo também defende a concentração do setor, que considera uma tendência global, dadas as margens reduzidas do negócio. De acordo com o assessor, "os efeitos desta concentração são positivos sob a ótica de desenvolvimento setorial e indução das melhores práticas na cadeia de fornecedores".

Salcedo argumenta que o fato de os valores pagos ao produtor e os preços no varejo terem subido em linha entre 2007 e 2015 é um indicativo de que a avaliação do Cade a respeito do uso de poder econômico pela JBS está correta. 

O relatório, intitulado "O crescimento de grandes empresas nacionais e contribuição do BNDES via renda variável", também faz análises positivas da participação do banco na Totvs e na Tupy.

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