BNDES defende sua presença na união de Pão de Açúcar e Carrefour

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) defendeu nesta quinta-feira sua participação na proposta de união entre o Pão de Açúcar e o Carrefour no Brasil, que pode criar uma gigante com cerca de um terço do varejo nacional.

REUTERS

30 de junho de 2011 | 13h11

"O projeto que os empresários estão apresentando visa a criação e a geração de valor para todos... A fusão vai gerar valor para nós", afirmou o vice-presidente do BNDES, João Carlos Ferraz, a jornalistas em evento no Rio.

"Isso vai gerar valor para nós e você sabe que metade do lucro do BNDES é derivado do BNDESPar, e nós vimos aqui uma bela oportunidade de geração de valor e empregos, que é a nossa missão", acrescentou.

O BNDESPar, braço de participações do banco de fomento, entraria com 3,9 bilhões de reais na complexa operação de aliança entre Pão de Açúcar e Carrefour, pela qual o grupo liderado pelo empresário Abílio Diniz incorporaria a operação brasileira da companhia francesa.

Graças ao aporte, o BNDESPar se tornaria sócio da empresa resultante do negócio, que foi apresentado na terça-feira.

Ainda há uma série de dúvidas sobre o desfecho da operação, já que hoje um dos principais acionistas do Pão de Açúcar é o também francês Casino, principal rival do Carrefour na Europa.

Questionado se a participação do BNDES no negócio tinha motivação técnica ou política, o vice-presidente do banco respondeu que "a bandeira verde e amarela sempre é importante", sem se aprofundar no tema.

Integrantes do governo brasileiro também se manifestaram favoráveis à presença do BNDES, de controle federal, na operação empresarial.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse na quarta-feira que a união de Pão de Açúcar e Carrefour tem importância estratégica, por representar uma porta de entrada de produtos brasileiros no exterior.

"Nos nossos supermercados temos produtos de outros países. Seria (um passo) para internacionalização. A indústria de alimentos, agronegócios, moda, bens de consumo é muito boa. Nós temos que ter mais (grandes grupos nacionais)", corroborou o vice-presidente do BNDES.

"Nós não queremos uma economia internacionalizada? Então temos que ter mais bens mundo afora", completou.

Às 12h13, as ações do Pão de Açúcar subiam 1,32 por cento na bolsa paulista, a 71,94 reais. No mesmo horário, o Ibovespa operava perto da estabilidade.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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