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BNDES desembolsa R$ 33,3 bilhões no primeiro trimestre, queda de 24%

As aprovações de novos empréstimos somaram R$ 21 bilhões, o que representa uma queda de 46%

Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

14 Maio 2015 | 14h16

RIO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou R$ 33,264 bilhões no primeiro trimestre, queda de 24% na comparação com igual período do ano passado. As aprovações de novos empréstimos somaram R$ 21 bilhões, queda de 46%. Já as consultas, termômetro do ânimo das empresas em buscar crédito para projetos de longo prazo, somaram R$ 25 bilhões, recuo de 47% na comparação com os três primeiros meses de 2014.

Os dados divulgados pelo BNDES são nominais. Se fosse descontada a inflação, o recuo nos valores seria ainda maior. Segundo a nota distribuída à imprensa, a queda é em parte explicada pela nova orientação do BNDES. 

"O Banco vem reduzindo os níveis de participação máxima em TJLP nos seus financiamentos, abrindo mais espaço para a presença do mercado de capitais no financiamento de longo prazo. O último ajuste neste sentido foi feito em dezembro de 2014", diz o texto.

A equipe econômica liderada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem implementado mudanças no papel do banco, para reduzir o volume de crédito e, assim, cessar os aportes do Tesouro, que se tornaram a principal fonte de recursos da instituição. Com a redução do crédito, a nova orientação do BNDES procura privilegiar projetos considerados prioritários.

Com isso, os valores liberados para projetos de investimento no setor de comércio e serviços tiveram o maior tombo no primeiro trimestre: queda de 34%, para R$ 7,660 bilhões. O setor de infraestrutura, fortemente atingido pelos desdobramentos da operação Lava Jato, recebeu R$ 11,670 bi, queda de 25% ante o primeiro trimestre de 2014.

Já a indústria recebeu R$ 10,379 bi no primeiro trimestre deste ano, queda de 17%. Os desembolsos para a agropecuária somaram R$ 3,555 bilhões, recuo de 13% em relação ao primeiro trimestre de 2014.

O BNDES também apontou a revisão das condições de crédito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) como responsável pelo tombo nos desembolsos. O PSI, que financia bens de capital com taxa fixa, foi criado em 2009 como estratégia de reação à crise internacional, oferecendo às empresas crédito fortemente subsidiado, por vários períodos com juros negativos (abaixo da inflação). Com a reorientação no papel do BNDES, o PSI foi renovado em 2015 com taxas mais elevadas e menos recursos.

"Embora permaneçam bastante competitivas, o aumento das taxas e a diminuição do nível máximo de participação do BNDES nos financiamentos afetou o desempenho do programa, conforme esperado. Com isso, o resultado do primeiro trimestre de 2015 ficou dentro das expectativas do BNDES", resume o banco de fomento em nota. 

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