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BNDES desembolsa R$ 86,6 bi em um ano, valor recorde

Demanda pode ter aumentado com a restrição de crédito provocada pela crise, admite Coutinho

ADRIANA CHIARINI, Agencia Estado

13 de novembro de 2008 | 15h05

Os  desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aumentaram com o agravamento da crise e atingiram o recorde de R$ 86,594 bilhões nos 12 meses até outubro, sendo R$ 71,5 bilhões este ano e R$ 10,172 bilhões só no mês passado. Segundo o presidente da instituição, Luciano Coutinho, os números do desempenho do banco no mês passado indicam "manutenção da aceleração do investimento", apesar da crise.  Veja também:  Empresas procuram BNDES para novos projetos de R$ 1,5 bi  "Certamente, chegaremos a R$ 90 bilhões este ano", disse Coutinho, citando uma cifra que até a semana passada só esperava para o ano que vem. No início do ano, a meta de desembolso para 2008 era de R$ 80 bilhões, depois ampliada para R$ 85 bilhões. Os volumes de aprovações, enquadramentos e consultas (pedidos formais de recursos ao BNDES) também foram recordes de acordo com gráficos distribuídos pelo banco. As aprovações atingiram R$ 118,633 bilhões em 12 meses, R$ 90,5 bilhões de janeiro a outubro e R$ 14,437 bilhões só em outubro. Os enquadramentos foram de R$ 154,089 bilhões em 12 meses, R$ 128 bilhões em 2008 e R$ 12,797 bilhões em outubro. Segundo Coutinho, aprovações e enquadramentos mostram que os desembolsos do BNDES no ano que vem "continuarão firmes". Ele comentou que o governo dará os recursos necessários para o banco continuar apoiando o aumento do investimento. As consultas mostraram que, em outubro, primeiro mês inteiro depois do agravamento da crise com a concordata da Lehman Brothers, os novos pedidos de recursos ao BNDES atingiram R$ 21,409 bilhões, acumulando R$ 152 bilhões de janeiro a outubro e R$ 175 bilhões em 12 meses. "A crise não chegou ao BNDES", disse Coutinho. No entanto, ele admite que "é possível" que a demanda ao banco estatal tenha aumentado justamente pela restrição de crédito privado com a crise. Coutinho considera que pode ter havido um desvio de demanda de empresas que buscavam crédito externo em dólar, para reais no BNDES. Ele ressaltou ainda que "há um ciclo de investimento em infra-estrutura em plena aceleração e que não foi afetado de forma nenhuma pela crise". Também disse que os números refletem "uma atuação mais afirmativa do BNDES na infra-estrutura, em exportação e ainda não reflete outras iniciativas em curso", como os financiamentos a empréstimo-ponte em infra-estrutura e em capital de giro.  Empréstimo-ponte Além do empréstimo nas condições do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o BNDES ofertará também empréstimo-ponte para o leilão das linhas de transmissão da usina hidrelétrica do Rio Madeira, que está marcado para o próximo dia 26. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, anunciou as condições: taxa de juros fixa de 14,5% mais 1,3% de spread básico mais um spread de risco, específico do projeto, prazo de 18 meses e valor de até 20% do investimento total. As fontes de recursos do BNDES, nesse caso, são o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. "As empresas normalmente acessavam o empréstimo-ponte a custo de mercado", disse ele, observando que o banco está também cobrando taxas de mercado. O BNDES poderá também conceder esse tipo de crédito para outros leilões de infra-estrutura, mas apenas enquanto as condições de crédito privadas não se normalizarem. "Este é o tipo de apoio que a gente espera que seja transitório e que nem precise fazer", disse Coutinho, com a expectativa de que o crédito se normalize em breve."Não é da função precípua do BNDES fazer capital de giro, mas o empréstimo-ponte é o suporte para a conclusão de investimento", afirmou. O diretor do BNDES para infra-estrutura e insumos básicos, Wagner Bittencourt, contou que a decisão de ofertar empréstimo-ponte se deu porque o banco foi procurado por empresas interessadas em participar do processo. As empresas pediram ao banco que concedesse o crédito porque não estão encontrando esse tipo de operação no mercado, a não ser com taxas muito altas. "Houve demanda de várias empresas", afirmou Bittencourt. Segundo Coutinho, o empréstimo-ponte para infra-estrutura ofertado pelo BNDES neste momento cria rede de segurança para o investidor."Queremos criar no investidor a certeza de que, se não conseguir no mercado, ele encontra o empréstimo-ponte no BNDES", disse Coutinho. BB e CaixaOs R$ 10 bilhões extras para o BNDES anunciados na semana passada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, "provavelmente" virão do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, informou Coutinho. Assim, de acordo com ele, "poderá não ser necessário emitir títulos" públicos. Mantega tinha mencionado que os recursos viriam de títulos do Tesouro Nacional.De acordo com Coutinho, do total, R$ 4 bilhões já estão certos, equacionados, entre os bancos federais, sendo que R$ 2,5 bilhões "já estão entrando". Coutinho explicou sobre esses R$ 2,5 bilhões que os recursos serão usados prioritariamente para empréstimo-ponte à infra-estrutura. O BNDES pagará juros de Depósito Interbancário (DI) "mais uma taxa" pelos recursos e também cobrará "juros de mercado" quando for conceder crédito a partir dessas fontes. Segundo Coutinho, o BNDES só tomará os recursos com BB e Caixa à medida que for repassar.

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