BNDES deve financiar R$ 126 bi em 2010, diz Coutinho

Banco de fomento também anuncia reserva de R$ 10 bilhões para apoiar as ofertas de debêntures

Fabio Graner, AGENCIA ESTADO

09 de dezembro de 2009 | 13h17

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou nesta quarta-feira, 9, que a demanda já projetada de desembolsos do banco de fomento para 2010 é de R$ 126 bilhões. Desse total, R$ 54 bilhões são para a indústria e serviços, R$ 47 bilhões para infraestrutura e R$ 25 bilhões para exportação e outros.

 

Segundo Coutinho, com a retomada do crescimento, a utilização da capacidade instalada leva a patamares que estimulam novos investimentos, o que pressiona a demanda por recursos do BNDES. Nesse sentido, ele destacou a importância do novo empréstimo que o Tesouro vai fazer para o banco e também da prorrogação do programa de sustentação do investimento até 30 de junho de 2010, medidas anunciadas nesta quarta-feira, 9, pelo ministro Guido Mantega, da Fazenda.

 

Coutinho afirmou que a aceleração dos investimentos é importante para que o crescimento econômico ocorra sem inflação e também para que se viabilize a ampliação da melhora nas condições de distribuição de renda. "O investimento é um veículo que assegura o crescimento sem inflação e é o principal vetor gerador de empregos", afirmou, destacando que a crise levou a uma redução no ritmo de investimentos, mas agora já há uma retomada dos projetos das empresas.

 

Ofertas de debêntures

 

Entre as medidas para estimular os investimentos na economia brasileira, está o apoio do BNDES ao desenvolvimento do mercado de títulos corporativos. Segundo Coutinho, o BNDES reservará R$ 10 bilhões para apoiar as ofertas de debêntures. De acordo com o ministro, esses R$ 10 bilhões podem significar R$ 50 bilhões em captações via debêntures pelas empresas, pois para cada R$ 1 colocado pelo banco os investidores colocam mais R$ 4. Segundo ele, a medida visa a apoiar o mercado de capitais brasileiro. O programa vale para prazos médios iguais ou superiores cinco anos.

 

Outra medida anunciada por Coutinho foi o projeto piloto de apoio a micro, pequenas e médias empresas do setores de bens de capital e componentes de autopeças, para capitalização dessas empresas. A ideia é financiar a compra de ações dessas companhias pelos funcionários. O programa será limitado a 30% do capital social das empresas com custo de TJLP, mais 1% para o BNDES e até 3% para o banco credenciado.

 

Outra iniciativa anunciada foi o apoio à exportação de máquinas e equipamentos e serviços brasileiros por meio da abertura de linhas de crédito a bancos locais que operam no exterior. Coutinho disse que o BNDES já está fazendo um acordo com o banco Itaú na Argentina para a comercialização de máquinas. O presidente do BNDES disse esperar que o desenvolvimento de acordos SML (Sistema de Pagamentos em Moeda Local) ajude a reduzir o risco cambial envolvido na operação. Segundo ele, essa medida ajuda a melhorar a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.

 

Coutinho anunciou ainda a ampliação do limite de crédito do cartão BNDES, de R$ 500 mil para R$ 1 milhão. De acordo com ele, a taxa de juros do cartão é de 9% ao ano com prazo de quatro anos para pagamento dos empréstimos. Os desembolsos do BNDES nos 12 meses encerrados em outubro somaram R$ 2,1 bilhões, informou ainda.

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