BNDES discute com Banco Central formas de ampliar capital

O gerente da Área de Gestão Financeira do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Selmo Aronovich, disse hoje no I Seminário Nacional de Competitividade Industrial na Fundação Getúlio Vargas (FGV) que a instituição está discutindo com o Banco Central uma forma de ampliar seu capital. O BNDES, porém, nega essa intenção oficialmente.A declaração do gerente foi feita ao microfone do auditório do 8º andar do prédio sede da FGV. Aronovich acrescentou que "se isso não for equacionado, o BNDES terá restrições para conceder empréstimos". Antes de deixar o auditório, logo depois da palestra, Aronovich foi questionado por jornalistas sobre o que quis dizer e afirmou então que se tratava de considerar tipos de dívida como capital de nível 2 para efeito de regulação do acordo de Basiléia, o conjunto de regras que limita a concessão de créditos de cada banco pelo seu volume de capital.Diante da pergunta do que era capital de nível 2, Aronovich respondeu "é como essas operações para o setor elétrico - é dar e colocar em provisão". Ele exemplificou também com os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) que estão há anos sendo usados para as operações de crédito do BNDES. "São recursos que só se espera receber no longo prazo", disse. Na ocasião, o gerente estava com pressa e deixou dúvidas.Mais tarde, ao telefone com a Agência Estado, ele negou praticamente tudo o que tinha dito anteriormente. "Eu não sabia que tinha jornalistas lá", afirmou. Disse não lembrar das declarações sobre o Banco Central na palestra e observou que "se disse, não deveria ter dito". Negou ainda a frase sobre as elétricas e disse que se referia à contabilização de financiamentos do governo ao BNDES como capital de nível 2 e não de créditos de longo prazo concedidos a terceiros como as empresas elétricas.A chefe do Departamento de Captações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maria Isabel Aboim, desautorizou a fala do subordinado. "O nosso nível de capitalização é de 17% (capital próprio correspondendo a 17% dos ativos totais ponderados pelo risco conforme as regras do acordo de Basiléia). É muito confortável em relação ao exigido, que é de 11%", afirmou."A gente está sempre olhando o mercado, mas não está preparando nenhuma operação no momento. Da mesma forma, a gente está sempre acompanhando as questões de regulação normalmente, mas não há nenhuma proposta sobre isso ao Banco Central e nem necessidade nenhuma premente", disse ela.Outra fonte do BNDES afirmou que a instituição está estudando formas de aumentar seu capital pelo registro de operações como capital de nível 2 para aumentar o volume de concessão de crédito, já que a demanda ao Banco supera muito a oferta. "Historicamente a demanda sempre superou a oferta", disse Maria Isabel, ao negar que a instituição esteja preparando um aumento de capital contábil.

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