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BNDES: disposição de empresas em investir subiu muito

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, informou hoje que a instituição tem constatado que a disposição das empresas em investir aumentou muito nos últimos dez meses. "Mesmo setores que originalmente eram céticos em relação ao potencial do crescimento do País mudaram de idéia e estão anunciando novos planos de investimento", relatou Coutinho.Segundo ele, o BNDES, em cooperação com o Ministério da Fazenda, tem acompanhado todos os setores que têm "estresse" no uso da capacidade instalada. Ele explicou que o banco tem atuado de maneira "proativa", chamando para conversar os representantes de todos os setores cujos planos de investimento não estão fluindo na velocidade necessária para atender a demanda."Tem sido uma tarefa relativamente fácil, porque - estamos verificando - a disposição de investir aumentou muito", afirmou o presidente do BNDES. Coutinho, no entanto, não quis comentar as notícias de que o Ministério da Fazenda estaria estudando a possibilidade de cobrar Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de leasing de automóveis, para diminuir a demanda. "Sobre leasing, eu prefiro não comentar, porque não é matéria específica nossa", disse.Ele fez a avaliação de que a demanda no setor automotivo tem levado a indústria a anunciar projetos de investimento muito fortes, mas fez a ressalva de o setor não se baseia na atual velocidade de crescimento da demanda. "Todos sabem que é natural uma desaceleração do ritmo de crescimento da demanda, que se deve a uma demanda reprimida, e quando (esta) é absorvida, provocará uma desaceleração moderada da demanda."Coutinho disse acreditar que essa demanda deve se estabilizar em um nível elevado, porém bem mais baixo que o atual. "Para o setor, o que impacta na decisão de investir é a regularidade e a continuidade do processo de crescimento da demanda", afirmou. Acrescentou que os investimentos no setor automotivo serão robustos nos próximos dois anos. Pré-salCoutinho disse hoje que o debate sobre a utilização dos futuros recursos da exploração de petróleo na camada pré-sal ainda são "muito embrionários". Coutinho, que participou de reunião da comissão interministerial sobre o assunto, no Palácio do Planalto, informou que ficou acertado, no encontro, que apenas o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, falará em nome do governo acerca da questão do pré-sal. "Não podemos falar a respeito. Pergunte ao ministro Lobão", disse Coutinho à Agência Estado.Questionado se defendia a criação de um fundo com recursos do petróleo, independentemente do Fundo Soberano do Brasil, o presidente do BNDES respondeu: "São coisas diferentes. São assuntos que não estão maduros. Mas, se você estudar o modelo norueguês, verá que existem coisas diferentes."O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, contou que apresentou, durante a reunião da comissão interministerial, hoje, informações sobre o funcionamento dos fundos soberanos de 12 países. Barbosa disse que apresentou explicações detalhadas apenas sobre o fundo constituído pela Noruega. "Os outros foram apresentados com um grau de profundidade menor", disse.

RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

19 de agosto de 2008 | 18h27

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