BNDES dobra crédito a eólicas

Banco liberou R$ 1,6 bilhão para projetos e triplicou as aprovações de financiamentos

ALEXANDRE RODRIGUES / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h07

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai terminar este ano com a liberação de pouco mais de R$ 1,6 bilhão para projetos de energia eólica, o dobro do que foi emprestado pelo banco para esse segmento em 2010. No mesmo período, o BNDES triplicou as aprovações de crédito para parques eólicos, atingindo o recorde de quase R$ 3,4 bilhões aprovados este ano.

A perspectiva de crescimento do apoio financeiro do BNDES aos projetos de geração de energia elétrica em parques eólicos está ligada à participação crescente desse setor nos leilões de contratos de fornecimento como o que será realizado hoje pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Dos 231 projetos habilitados para a disputa que somam 6,2 mil megawatts, 205 são parques eólicos que somam 5,1 mil megawatts de capacidade de oferta.

Carteira de projetos. Em entrevista ao Estado, o gerente do Departamento de Fontes Alternativas de Energia do BNDES, Luiz André D'Oliveira, estimou que a carteira de projetos de energia eólica do banco já soma R$ 8 bilhões em diferentes fases de tramitação. Para ele, mantida a tendência de crescimento das eólicas nos leilões, o BNDES poderá chegar a R$ 5 bilhões aprovados para o setor em 2012.

O BNDES aumentou de 12 para 16 anos o prazo máximo dos financiamentos de parques eólicos na última década como forma de aumentar a viabilidade econômica dos projetos. O banco tem apoiado entre 60% e 70% dos empreendimentos de energia eólica que vencem os leilões. "Houve um enorme ganho de produtividade nos últimos quatro, cinco anos. No começo dos leilões, o governo garantia um preço subsidiado de R$ 300 por megawatt/hora. No último leilão esse preço já caiu para R$ 100", lembra o gerente do BNDES.

Segundo ele, o retorno econômico da atividade começou a crescer com a fabricação dos equipamentos em larga escala no Brasil com a redução de preço e aumento da eficiência com inovações como a construção de torres mais altas. Atualmente, 13 fornecedores já fabricam os equipamentos no Brasil. "O preço dos equipamentos é o principal custo. É o que define o retorno."

Conteúdo nacional. O BNDES só pode financiar a aquisição de equipamentos de alto conteúdo nacional, o que para D'Oliveira tem contribuído para a atração de fabricantes para o País. "Essa é uma cadeia produtiva que ainda pode se desenvolver muito", diz o executivo do BNDES, acrescentando que muitas empresas buscam o Brasil como plataforma de exportação.

Os últimos financiamentos para energia eólica aprovados pelo BNDES, na semana passada, somaram R$ 1,8 bilhão para 26 parques no Rio Grande do Norte. D'Oliveira explica que os desembolsos costumam acontecer nos dois anos seguintes à aprovação dos empréstimos. As operações aprovadas este ano referem-se a projetos que venceram leilões em 2009 e 2010.

Os vencedores do leilão de hoje devem se somar a alguns projetos de 2010 e os aprovados na última concorrência, em agosto, entre as operações em análise no banco para provável aprovação em 2012. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o primeiro leilão de energia de 2012, marcado para março, também terá a predominância dos parques eólicos: eles representam 88% da oferta total de 25,8 mil megawatts dos 598 projetos inscritos.

Produtividade. Segundo D'Oliveira, a produtividade crescente e a característica do regime de ventos brasileiro em oposição à estação de chuvas está fazendo com que os parques eólicos assumam o lugar de termelétricas e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) no papel complementar à energia das grandes hidrelétricas. Assim como nos leilões, a participação desses dois segmentos nos desembolsos do BNDES vem caindo.

"Além do baixo impacto ambiental, os parques eólicos ficam prontos em um ano e meio. Esse prazo é uma grande vantagem dos projetos, que não têm sobrecusto porque o preço é fechado na contratação da compra das turbinas, que são instaladas pelos fabricantes", diz o gerente do BNDES.

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