BNDES e AES tentam acordo para Eletropaulo

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e representantes da norte-americana AES reúnem-se amanhã para tentar um acordo sobre a dívida da Eletropaulo, a apenas dois dias do vencimento dos débitos dos controladores da distribuidora paulista. Na sexta-feira, encerra-se o prazo para que a AES Transgás, uma das subsidiárias brasileiras, pague uma parcela de US$ 330 milhões do financiamento que obteve junto ao banco. O prazo para o pagamento desta parcela venceu no final de janeiro, mas foi estendido por falta de recursos da multinacional.Além disso, o BNDES espera resolver até sexta-feira uma pendência relativa à outra subsidiária da AES com ações da Eletropaulo, a AES Elpa, que não pagou uma parcela de US$ 85 milhões vencida também no fim de janeiro. A reunião de hoje será realizada na sede do banco, no Rio de Janeiro, já sob as diretrizes propostas pelo governo federal, discutidas hoje em uma reunião no Ministério de Minas e Energia com a presença da ministra Dilma Roussef, do vice-presidente do BNDES, Darc Costa, e do presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa.A AES tem uma dívida de US$ 2 bilhões com o BNDES, referente ao financiamento obtido junto ao banco para a compra da Eletropaulo. Em janeiro, declarou default técnico (moratória) para não pagar uma parcela e renegociou o vencimento de outra. Agora, com a consultoria do ex-presidente do banco, José Pio Borges - o mesmo que assinou o contrato com a multinacional -, sugere alternativas para cumprir o compromisso, como a cessão de ativos no Brasil ou a permissão para a entrada de um sócio na distribuidora paulista.Se não quiser aceitar nenhuma proposta do grupo norte-americano, o BNDES terá como opção a execução das garantias do contrato, que são as próprias ações da Eletropaulo, hoje com um valor dez vezes inferior ao da época da privatização. Entre as alternativas estudadas pelo governo - que participa ativamente das negociações -, está a transferência temporária da administração da distribuidora para o grupo Eletrobrás.PreviNo que depender da Previ, caixa previdenciária do Banco do Brasil, o acordo entre os fundos estatais para investir na distribuidora, proposto ontem por um de seus diretores, Erik Persson, não se concretizará. Hoje, a Previ negou e reiterou a negativa em investir na Eletropaulo. "É opinião pessoal dele (Persson) e eu respeito, mas temos uma política de investimentos e já extrapolamos o limite de exposição ao setor elétrico", disse o conselheiro da instituição, Arlindo Magno de Oliveira.O próprio Persson, em nota enviada no início da noite de hoje, voltou atrás e disse que quando mencionou ajuda à Eletropaulo, falava em tese e "não quis dizer com isso que tal apoio se daria por meio do aporte de recursos". Ele negou ainda que tenha falado em venda das participações da Previ em empresas elétricas.O setor elétrico representa cerca de 23% da carteira de renda variável da Previ, o que representaria um volume investido em torno de R$ 3,8 bilhões. A instituição tem participação em empresas como Coelba (BA), CPFL (SP), CPFL Piratininga (SP), Cosern (RN), Celpe (PE), RGE (RS) e Celesc (SC), entre outras, e informou, em nota enviada à imprensa, que no momento, "está voltada para a administração das participações acionárias que detém no setor".De acordo com a nota, os investimentos no setor elétrico não estiveram na pauta da reunião realizada ontem, conforme havia dito Persson na segunda-feira. "Não podemos dizer se vamos sair ou o quanto vamos desinvestir no setor. Esse tipo de informação prejudica o mercado", disse hoje Oliveira, que participa do conselho de administração da CPFL. Ele não quis informar também qual é o limite para participação em empresas elétricas.Oliveira frisou ainda que a instituição não vai investir em projetos que prejudiquem a rentabilidade do fundo. "Nossa política de investimentos que não pode variar ao sabor das mudanças no governo. Por mais que eu queira ajudar o setor elétrico, não podemos ir contra o interesse do participante", afirmou.

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