BNDES e Caixa entre os maiores credores de Eike

Relatório afirma que os dois bancos estatais e Bradesco, Itaú e BTG somam exposição de R$ 9,4 bilhões

ALINE BRONZATI, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2013 | 02h06

A exposição das empresas X, do empresário Eike Batista, no mercado financeiro está concentrada em cinco bancos brasileiros, de acordo com relatório do Bank of America Merril Lynch, enviado a clientes.

Os estatais Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal estão entre as principais com R$ 4,888 bilhões e R$ 1,392 bilhão, respectivamente.

Em seguida estão os privados Bradesco, Itaú Unibanco e BTG Pactual. Juntos, conforme cálculos dos analistas Alessandro Arlant, Anne Milne e Roy Yackulic, esses bancos somam exposição de mais de R$ 9,4 bilhões às empresas do grupo X.

Eles destacam, no relatório, que os números estão baseados nos balanços do primeiro trimestre deste ano e são apenas uma visão parcial da exposição global das empresas X aos bancos brasileiros.

"As informações e a divulgação das mesmas são pobres e, por isso, é tão difícil avaliar o tamanho da exposição dos bancos em relação às empresas X uma vez que ele pode estar subestimado", avaliam os analistas.

Eles lembram que o fato de o grupo EBX, holding que concentra os negócios de Eike Batista, não ter capital aberto e, por isso, não divulgar informações sobre suas dívidas totais, dificulta uma análise mais apurada sobre o risco X para os bancos.

Além disso há, conforme atentam Arlant, Anne e Yackulic, títulos de dívidas, como debêntures, por exemplo, que não são contabilizadas na linha de empréstimos dos balanços das instituições bancárias e garantias concedidas.

Os analistas destacam ainda que Bradesco (R$ 1,252 bilhão) e Itaú Unibanco (R$ 1,235 bilhão) têm uma exposição semelhante ao grupo X, representando 1,3% e 1,4% do seu capital, respectivamente.

Injeção. Já para o BTG, embora tenha uma menor exposição, da ordem de R$ 649 milhões, principalmente referente à MPX (R$ 459 milhões), dado o seu pequeno tamanho em relação aos bancos comerciais, a exposição é de 4,3% do seu capital total.

O JPMorgan estima que a OGX precisa de uma injeção mínima de capital de US$ 700 milhões para garantir a operação da petroleira até meados do próximo ano.

"A injeção de capital em meio a um desenvolvimento de capex (investimentos para a manutenção dos equipamentos e da produção) reduzido em 2014 pode ser um alívio para as necessidades de caixa no curto prazo, mas a geração de caixa dificilmente será suficiente para cobrir o vencimento de bônus de US$ 2,6 bilhões com vencimento em 2018, exigindo uma renegociação da dívida", afirma o relatório da instituição financeira./ COLABOROU FERNANDA GUIMARÃES

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