Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

BNDES e Caixa perdem R$ 3,4 bi com queda nas ações da JBS

Os dois bancos públicos têm 26% de participação na empresa, cujas ações despencaram 42% no ano até terça-feira, segundo a Economática

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2017 | 01h29

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal perderam R$ 3,4 bilhões com a queda das ações da JBS neste ano até terça-feira. Segundo levantamento da empresa de informação financeira Economática, as duas instituições detêm, juntas, 26,24% de participação na companhia, que tem como sócio Joesley Batista – delator de denúncias contra o presidente Michel Temer.

No período, a JBS perdeu 42% de seu valor de mercado – ou R$ 13 bilhões, passando de R$ 31 bilhões para R$ 17,8 bilhões, segundo a Economática. Só na segunda-feira, as ações ordinárias da companhia despencaram 31%. Nos últimos dois dias, porém, a empresa conseguiu recuperar pequena parte dos prejuízos. Apesar disso, os papéis estão sob forte volatilidade por causa do conteúdo das delações.

A JBS fazia parte das empresas escolhidas pelos governos Lula e Dilma Rousseff para participar da política das “campeãs nacionais” em alguns setores da economia. Isso significava ter acesso a empréstimos e financiamentos de bancos públicos a taxas menores, o que ajudou o grupo a ocupar a posição de maior processadora de proteína animal do mundo.

Para se ter ideia, segundo informações constantes na delação de Joesley, o grupo conseguiu nos últimos anos R$ 15 bilhões de empréstimos e aportes de capital do BNDES e da Caixa. O levantamento da Economática corrobora a informação. De acordo com o trabalho feito com base nos formulários de referência encaminhado pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários, de 2007 até 2014, a participação das duas instituições públicas mais que dobrou, de 12,95% para 34,66%.

A Caixa só passou a ser acionista da companhia em janeiro de 2013, quando adquiriu 10,07% de participação na JBS. Nesse mesmo período, o BNDES reduziu sua fatia na empresa na mesma proporção, de 29,92% para 19,85%. De 2014 para cá, os dois bancos públicos reduziram suas posições no grupo, mas continuam sendo grandes acionistas na empresa. Hoje a Caixa detém 4,92% de participação e o BNDES, 21,32%.

“Essa foi uma política equivocada, que embutiu uma estatização às avessas, já que o governo escolhia as empresas que seriam as campeãs nacionais”, afirma o professor do Ibmec/RJ Gilberto Braga. “Era melhor que tivessem diversificado os financiamentos entre todas as empresas nacionais, assim, quem sabe, não surgiria uma campeã nacional sem escolha governamental.”

O professor afirma ainda que os prejuízos de BNDES e Caixa relacionados as suas participações no grupo podem ser maiores ou menores, dependendo do momento em que forem se desfazer de suas posições. Mas não é só isso. Como os dois bancos têm empréstimos e financiamentos concedidos, as perdas podem ser ainda maiores.

Greenfield. Ontem a Caixa informou que deverá saber até junho o valor que terá de provisionar referente a perdas com investimento na Eldorado Celulose, do grupo J&F. Segundo o vice-presidente de finanças e controladoria do banco, Arno Meyer, o investimento, feito por meio do fundo de pensão dos funcionários da Caixa (Funcef) no Florestal Fundo de Investimentos Participações (FIP Florestal), foi avaliado em R$ 1,6 bilhão. “O laudo de avaliação da empresa Eldorado ainda não foi concluído, deve acontecer até junho.” O caso é investigado na Operação Greenfield, da Polícia Federal. / COM REUTERS

 

 

 

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