BNDES e Caixa vão receber R$ 950 milhões do Tesouro

Capitalização será feita para reduzir os impactos da crise internacional e garantir o crescimento do crédito no ano que vem

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 03h06

O governo federal vai injetar R$ 950 milhões no Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) e na Caixa para assegurar uma "pequena" margem de manobra para crescimento do crédito em um ano que promete ser nada fácil graças às incertezas provocadas pela crise mundial. Ao menos por enquanto, não há previsão de capitalização para o Banco do Brasil.

Além de dar fôlego adicional para os bancos públicos, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, quer dar condições para que as famílias brasileiras continuem consumindo para estimular o crescimento econômico. Isso será possível por causa do desempenho do mercado de trabalho que, segundo Mantega, está de excelente tamanho para o Brasil.

A missão para 2012 será reduzir os custos financeiros das transações para continuar estimulando o consumo. "Embora a taxa real esteja em 4,5%, que é um bom nível, temos de resolver essa questão", disse.

O ministro afirmou que o crédito cresceu este ano menos que em 2010, mas atendeu às necessidades. "O que temos a reclamar é do custo do crédito." Ele disse que é preciso baixar os juros porque o consumo continuará subindo. "As famílias poderão continuar consumindo, mas sem exageros", afirmou o ministro.

Segundo Mantega, o BNDES vai receber R$ 500 milhões do Tesouro e a Caixa, R$ 450 milhões. A portaria foi assinada na quarta-feira e os recursos devem entrar nos cofres dos bancos nos próximos dias. Mas a contribuição, admite o ministro, é realmente pequena. O pleito da Caixa, por exemplo, era de R$ 5 bilhões. A expectativa do governo é de que os bancos públicos continuem liderando o crescimento dos empréstimos bancários.

Agressividade. De 2010 para cá, os bancos públicos alavancaram os empréstimos bancários e para manter os porcentuais de crescimento necessitam de recursos do governo federal. A agressividade na concessão de crédito, até mesmo para estimular o crescimento econômico, fez com que as instituições financeiras, principalmente as públicas, se aproximassem do chamado Índice de Basileia - que estabelece o limite de empréstimos que um banco pode realizar conforme seu nível de capital - que atualmente é de 11%. A situação ficou mais apertada com o anúncio, no final de 2010, do aumento da exigência de capital para a liberação de empréstimos.

Com a retirada recente das medidas prudenciais, as instituições ganharam folga no índice de Basileia. Mas a situação continua complicada. Mantega explicou, porém, que os bancos brasileiros são os mais capitalizados do mundo.

Enquanto no Brasil o índice é de 11%, em outros, o porcentual é de 8%. "O ano de 2012 vai começar diferente. Em 2011, começamos restringindo o crédito; 2012 vai começar com o barateamento do crédito", afirmou o ministro. / R.V. e E.S

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