BNDES e CEF terão mais R$ 130 bi para emprestar

Tesouro faz injeção de recursos no caixa dos dois bancos que, com isso, ganham novos limites para concessão de empréstimos

Fabio Graner, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

O governo autorizou ontem o Tesouro a promover injeções de capital na Caixa e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que vão aumentar em cerca de R$ 130 bilhões a capacidade de empréstimos desses dois bancos públicos.

A Caixa receberá do Tesouro R$ 2,2 bilhões em ações da Petrobrás e da Eletrobrás, o que vai alavancar em cerca de R$ 30 bilhões seu potencial de empréstimos, enquanto o BNDES receberá R$ 6,4 bilhões só em ações da Petrobrás, que ampliarão em R$ 100 bilhões a capacidade de a instituição financiar projetos.

De acordo com o vice-presidente de controle e riscos da Caixa Econômica Federal, Marcos Vasconcelos, o aporte de capital do Tesouro no banco já vinha sendo negociado desde o segundo semestre do ano passado, diante do ritmo acelerado de concessão de empréstimos do banco. No ano passado, a Caixa registrou alta de 41% no volume de crédito concedido, com destaque para operações no segmento imobiliário.

Com a operação, o chamado índice de Basileia da Caixa, que hoje está em 15,4%, subirá para 16%. Mas deve encerrar o ano na casa dos 15%, por causa do crescimento do volume de empréstimos da instituição neste ano, previsto para ficar em torno de 30%.

O índice de Basileia é uma medida que define quanto de patrimônio um banco tem em relação ao seus ativos, especialmente de crédito. Pela legislação atual, os bancos têm de ter, no mínimo, R$ 11 de capital (patrimônio) para cada R$ 100 emprestados.

Vasconcelos salientou que o aporte recebido garante capacidade de a Caixa emprestar no atual ritmo e perfil até 2014. "Com o que temos hoje, sem a capitalização e no ritmo de crescimento de 30%, teríamos condições de expandir o crédito até 2012", disse o vice-presidente.

Ele explicou ainda que, como boa parte da alta de financiamentos da instituição foi no segmento de imóveis, que tem menor risco e por isso exige menor reserva de capital, o aporte de R$ 2,2 bilhões do Tesouro acaba gerando uma alavancagem maior na capacidade de crédito da Caixa. Por isso, a previsão é de uma expansão de R$ 30 bilhões na capacidade de crédito.

Potencial. Em relação ao BNDES, a assessoria do banco apenas informou que a capitalização anunciada alavanca o patrimônio de referência do banco em R$ 10 bilhões, elevando em R$ 100 bilhões o potencial de financiamentos.

Segundo a instituição, o capital injetado não tem relação com os recursos que serão emprestados pelo Tesouro como fonte de recursos (funding) para financiamentos do banco, como no programa PSI.

Esse empréstimo, cujo valor ainda não foi divulgado, mas segundo fontes pode passar de R$ 40 bilhões, tem de ser pago ao governo no futuro. Nos últimos dois anos, o governo emprestou R$ 180 bilhões para o BNDES acelerar seus financiamentos.

Expansão

R$ 2,2 bi

é o montante que a Caixa receberá do Tesouro por meio das ações da Petrobrás e da Eletrobrás

16%

será o futuro Índice de Basileia do banco. Atualmente, está em 15,4%, mas deverá encerrar o ano em 15% por causa do crescimento no volume de empréstimo

R$ 100 bi

é o novo potencial de financiamento do BNDES por conta da capitalização

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