BNDES eleva aportes no setor elétrico

Este ano, foram R$ 9,5 bilhões destinados às empresas do setor; com Belo Monte, montante deve ser ainda maior em 2012

ALEXANDRE RODRIGUES / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2011 | 03h05

Mesmo sem grandes projetos aprovados, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) terminará o ano com empréstimos em alta para o setor elétrico. Segundo a chefe da Área de Energia Elétrica do BNDES, Márcia Leal, o banco fechará 2011 com desembolsos em torno de R$ 9,5 bilhões para grandes hidrelétricas, linhas de transmissão e distribuição, pouco acima dos quase R$ 9 bilhões emprestados em 2010.

A manutenção do alto desembolso está ligada à aprovação de grandes projetos de hidrelétricas nos últimos anos, como as usinas do Rio Madeira (Jirau e Santo Antônio) em Rondônia, cujos desembolsos são distribuídos ao longo das obras. O banco também começou este ano a liberar parte do crédito de R$ 6,1 bilhões para a usina nuclear Angra 3, aprovada no fim de 2010.

Márcia diz que o BNDES espera aumentar os desembolsos para o setor em 2012 com a maturação de empreendimentos. "O setor elétrico tem continuidade no seu planejamento, mesmo que haja grandes leilões num ano e poucos no outro. No ano que vem o nosso desembolso deve subir mais porque os projetos aprovados em 2010 e que maturaram este ano provavelmente terão o seu equacionamento financeiro finalizado em 2012."

Apesar da perspectiva de aumento dos desembolsos, o principal destaque da área de energia elétrica no BNDES já no início de 2012 será a aprovação do financiamento da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que será recorde. O BNDES pode financiar até 80% da obra, estimada em pelo menos R$ 20 bilhões, mas deve aprovar porcentual menor.

"Está faltando pouca coisa", diz Márcia, sem detalhar o montante em avaliação. Ela esclarece que o financiamento não muda se houver alta do custo da obra. O porcentual cai e o consórcio precisará completar a estrutura financeira com outras fontes.

Controvérsia. Para a executiva, além da definição das licenças ambientais em duas etapas, a reestruturação societária do consórcio vencedor do leilão de Belo Monte favoreceu sua viabilidade econômica. A troca de acionistas com pequenas fatias por participantes de mais peso e com maior participação foi bem-vista no banco. "Agora o perfil societário está bem sólido", avalia.

Márcia vê com naturalidade a controvérsia sobre o impacto ambiental do projeto, que atraiu muita visibilidade. No entanto, afirma que o BNDES se sente seguro para apoiar o projeto. "Ainda não enviamos a operação para a diretoria, mas consideramos que essa questão está sendo bem encaminhada", diz, citando projetos sociais compensatórios.

O compromisso do banco com Belo Monte foi expresso na aprovação de um empréstimo-ponte de R$ 1,06 bilhão no fim de 2010 para o início das obras, o que levantou críticas de ambientalistas e do Ministério Público.

Com a intenção do governo de acelerar os investimentos em infraestrutura em 2012, o BNDES deve fortalecer seu papel de principal financiador do setor elétrico. Entre 2003 e 2011, o banco financiou R$ 77,9 bilhões para mais de 350 projetos de geração, transmissão e distribuição que somaram R$ 146,2 bilhões em investimento total.

No setor de energias alternativas, as aprovações para parques eólicos somaram R$ 3,4 bilhões este ano, três vezes mais que em 2010. A subsidiária BNDESPar detém fatias de pelo menos nove empresas do segmento.

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