Paulo Vitor/Estadão
Paulo Vitor/Estadão

BNDES empresta 35% menos para investimento

De janeiro a outubro, desembolsos somaram R$ 69 bilhões; resultado reflete demanda fraca e sinaliza redução do tamanho do banco

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2016 | 22h49

Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empréstimos já aprovados somaram R$ 69 bilhões de janeiro a outubro, queda de 35%, sem descontar a inflação, em relação a igual período de 2015. Como a inflação acumula alta de cerca de 8% em 12 meses, a queda real é ainda maior. Para o banco de fomento, os dados refletem a fraca demanda por crédito para investimento e a dificuldade na retomada da atividade econômica no País. Os dados sinalizam para a redução do tamanho do BNDES, uma das medidas que fazem parte do ajuste fiscal em curso no País.

Até outubro as consultas recuaram 9%, atingindo R$ 95 bilhões. Primeira etapa do processo de pedido de crédito ao BNDES, elas são um termômetro da disposição de investimento das empresas. O banco aprovou financiamentos no total de R$ 61,6 bilhões de janeiro a outubro, 25% menos que o aprovado no mesmo período de 2015.

A liberação de recursos para projetos de infraestrutura despencou 51%. O setor recebeu R$ 20 bilhões até 31 de outubro. A indústria ficou com a maior parte (35%) dos desembolsos do BNDES, mas os R$ 24 bilhões também representaram um recuo de 20% ante o ano passado. O setor de comércio e serviços recebeu R$ 14 bilhões para empréstimos, queda de 40%. Por fim, o setor agropecuário ficou com R$ 10,795 bilhões, recuo de 6%. Houve diminuição nos empréstimos para todas as regiões do País, e de forma mais acentuada na região Norte (-65%).

Em nota técnica, o BNDES destacou que os indicadores de desempenho “seguem refletindo a situação de dificuldade de retomada da economia, não apontando, ainda, para um movimento claro de ascensão na demanda pelos recursos do banco”. A equipe técnica levou em conta os dados acumulados em 12 meses, quando os desembolsos seguiram em queda, atingindo R$ 99,4 bilhões, o que representa uma retração nominal de 32% e de 38% em bases reais, descontada a inflação medida pelo IPCA.

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