Henrique Fernandez/Divulgaçao
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BNDES exige fiança para liberar empréstimo da Sete Brasil

Pelo menos três das condições impostas pelo BNDES para liberar o financiamento de longo prazo para a Sete Brasil, empresa criada para gerenciar a contratação de sondas para exploração do pré-sal pela Petrobrás, não podem ser atendidas pela empresa, segundo contam alguns dos acionistas da companhia. 

Josette Goulart, O Estado de S. Paulo

02 de março de 2015 | 23h00

O banco estaria exigindo uma fiança bancária de US$ 1,5 bilhão, uma auditoria independente para averiguar os preços das sondas contratadas e ainda que os recursos liberados sejam integralmente usados para pagar apenas o primeiro lote de sondas, sete no total.

O argumento dos acionistas é que é impossível atender essas três exigências. No caso da fiança, a empresa já está devedora do empréstimo-ponte de US$ 3,6 bilhões com um grupo de seis bancos e não tem crédito na praça. No caso da auditoria, outros bancos já teriam tentado fazer essa exigência, mas auditores e consultores se recusaram a fazer tal avaliação por não ser possível auferir valores para as sondas, que pela primeira vez estão sendo feitas no Brasil. No caso do pagamento de apenas o primeiro lote de sondas, os estaleiros ficariam sem fluxo suficiente de caixa para tocar a construção das outras sondas que serão entregues em prazo mais longo. 

“Se tivéssemos crédito para uma fiança bancária, usaríamos o dinheiro para pagar os estaleiros”, exemplifica um dos donos da Sete. A empresa já deve mais de R$ 2 bilhões aos estaleiros. “E se pagarmos só o primeiro lote, os estaleiros quebram de qualquer jeito.” 

As conversas com o BNDES têm sido constantes para se chegar a um acordo. Desde a divulgação da delação premiada de Pedro Barusco, ex-diretor da empresa, que implicou ex-executivos e os próprios estaleiros em esquemas de pagamento de propina, o banco está impondo novas condições para assinar a liberação dos recursos. O banco não quis comentar.

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