BNDES expande crédito para inovação

Recursos para aumentar a competitividade de empresas podem chegar a R$ 20 bilhões

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h08

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançará linhas de crédito para investimento em inovação nas áreas de saúde, tecnologia da informação, energias renováveis, aeronáutica, aeroespacial e defesa, afirmou ontem o presidente do banco, Luciano Coutinho. Ele disse que os montantes que serão liberados não estão definidos. Fontes próximas ao tema afirmam que os recursos são da ordem de R$ 20 bilhões.

A inspiração para o projeto vem de linhas oferecidas pelo banco para projetos nos setores de açúcar e álcool e de óleo e gás, em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O BNDES oferece cerca de R$ 3 bilhões para investimentos em inovação para cada setor. "Como esse modelo deu certo, vamos replicar", afirmou Coutinho.

"Vamos estruturar em outras aéreas um tipo de organização dos processos de inovação para acelerar decisões de grandes empresas sobre projetos que correspondem às necessidades do País", disse Coutinho, em evento do Instituto Talento Brasil.

A visão de Coutinho é de que as empresas líderes em seus setores fomentam toda uma cadeia produtiva que será beneficiada por um salto tecnológico das grandes companhias. Segundo ele, o investimento em inovação é um dos caminhos para aumentar a competitividade das empresas brasileiras.

O prazo para o lançamento das medidas depende dos ministérios envolvidos no projeto, disse Coutinho, sem especificar quais são. O Estado apurou que representantes do BNDES se reuniram na última quarta-feira com a Casa Civil para discutir o tema.

Startups. Além da ampliação de linhas para financiar inovação, o BNDES intensificará sua atuação como investidor em empresas inovadoras nos próximos três anos. "O banco está municiado com todos os instrumentos para isso, desde capital semente, venture capital até o IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês)", disse Coutinho.

O fundo de capital semente Criatec, criado pelo BNDES, tem R$ 100 milhões para investir em startups (empresas nascentes) e recebeu 1.500 propostas. O banco já aprovou o lançamento de outros dois fundos do gênero para 2013 e 2014.

"Quando estimulamos a empresa as capitalizando, por meio dos fundos, criamos o clima para que elas se apresentem ao mercado. Mas só isso não é suficiente. O mercado de capitais precisa se abrir para empresas pequenas", disse Coutinho. O BNDES está em contato com a BM&FBovespa para tentar impulsionar o programa Bovespa Mais, uma iniciativa que visa trazer pequenas e médias empresas para o mercado de capitais. Desde que o programa foi lançado, em 2005, apenas uma empresa abriu o capital.

As startups brasileiras receberam neste ano cerca de R$ 500 milhões em investimentos de investidores anjos, segundo estimativas da associação Anjos do Brasil. O número é cerca de 10% maior do que o investido no ano passado, mas ainda é irrisório perto dos US$ 22 bilhões captados pelas startups americanas com investidores-anjos.

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