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BNDES facilitará crédito para varejistas

Para as companhias com capital estrangeiro, apenas os segmentos de eletroeletrônicos e alimentos podiam contar com os recursos do banco de fomento atualmente

Lorena Vieira, da Agência Estado,

17 de agosto de 2007 | 15h48

Em um momento de crise no mercado, o governo anunciou medidas que facilitarão o crédito para empresas do setor de varejo. O ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, informou nesta sexta-feira, 17, que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) passará a oferecer financiamento a todas as empresas varejistas com participação do capital estrangeiro. Para as empresas inteiramente nacionais não há restrições. Mas para as companhias com capital estrangeiro, apenas os segmentos de eletroeletrônicos e alimentos podem contar com os recursos do banco de fomento atualmente. Além disso, vai aceitar recebíveis (cheques pré-datados, duplicatas e antecipação de cartões de crédito) como garantia para os financiamentos das empresas do setor de varejo. Atualmente muitas empresas do setor têm dificuldade para obter recursos do banco de fomento, por não terem ativos suficientes para garantir a operação. Miguel Jorge disse que o modelo de empréstico com recebíveis ficará pronto até o final do mês. Ele explicou que a avaliação dos riscos e o prazo dos recebíveis a serem aceitos será feita caso a caso. "É um modelo novo para o BNDES, mas já aceito por outros bancos. A vantagem é que o BNDES é mais competitivo e oferece juros menores por ser um banco de fomento", disse. A expectativa do ministro é que a modalidade esteja disponível ainda este ano. Na próxima quarta-feira, 22, representantes do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV) participarão de uma reunião com o BNDES para discutir o novo formato de financiamento.  Para as empresas varejistas com capital estrangeiro, será necessário publicar um novo decreto, regulamentando o assunto e eliminando as restrições atuais. De acordo com o ministro, o texto do novo decreto já está com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para ser revisado. Depois o documento voltará para o Ministério e será encaminhado para a Casa Civil, já na próxima semana. "Espero que saia logo", afirmou, sem dar prazo para a entrada em vigor da medida. Segundo Miguel Jorge, se as empresas tiverem dificuldade de captar recursos no mercado externo, poderá haver uma demanda maior por crédito internamente, especialmente para o BNDES, o que, na sua avaliação, seria positivo já que são recursos voltados para investimentos. Para ele, as empresas brasileiras estão bem e o mercado interno fortalecido. "Mas toda crise é ruim e temos que ficar atentos", afirmou. Balança comercial Miguel Jorge disse ainda que, com a crise que toma conta dos mercados, o governo já espera uma redução do saldo da balança comercial. Mas, segundo o ministro, isso não deve ocorrer de forma imediata. Segundo ele, as exportações por enquanto estão mantidas por serem reflexos de contratos negociados anteriormente. "É cedo para dizer qual o tamanho do efeito sobre a pauta de exportações", afirmou. Na avaliação do ministro, as conseqüências da crise poderão ser até positivas para as exportações, em um segundo momento, caso a trajetória de valorização do dólar ocorrida nos últimos dias se mantenha. A balança comercial brasileira é formada, em grande parte, por commodities agrícolas - produtos que têm preço definido no mercado internacional. Na quinta-feira, dia de pânico no mercado, as principais bolsas de comercialização futura de produtos agrícolas fecharam com forte queda. As cotações do café caíram 6,45% para os contratos com vencimento em dezembro. As do algodão caíram 4,9% e as da soja, 4,6%. Ou seja, a queda do valor destes produtos terá impacto direto sobre o quanto o Brasil recebe por suas exportações.  Além disso, com a depreciação do real frente ao dólar, a importação vai ficar mais cara. O resultado final é, de fato, uma redução do saldo comercial.

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