BNDES financia menos indústria de alimentos e bebidas

A retração no volume de financiamento do BNDES ao setor de alimentos e bebidas atinge 21,4% nos primeiros oito meses de 2002 na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram desembolsados R$ 1,1 bilhão, contra R$ 1,4 bilhão despendidos anteriormente.O segmento que registrava curva ascendente desde janeiro de 2001 verificou a primeira alteração negativa no final do 1º trimestre deste ano, quando atingiu R$ 463 milhões, o que significa recuo de 1,7% sobre os primeiros três meses do ano passado. Para Paulo Faveret, gerente de estudos de agroindústria do BNDES, a diminuição da demanda por empréstimos destinados às exportações foi um dos fatores da queda a partir do segundo semestre.Apesar do comportamento negativo, o setor se mantém firme e ocupa o segundo lugar no ranking entre os que mais solicitaram crédito ao banco. Segundo Faveret, a área de transportes lidera com R$ 5,2 bilhões. Os números do banco revelam que todo o setor industrial recebeu empréstimos de R$ 10,1 bilhões entre os meses de janeiro e agosto, o correspondente a um acréscimo de 21%. Desta quantia, 10,8% foram absorvidos pela indústria de alimentos e bebidas.No ano passado a indústria alimentícia e de bebidas bateu recorde histórico ao emprestar do BNDES de R$ 2,233 bilhões, contra R$ 1,331 bilhão de 2000. Faveret não acredita que até o mês de dezembro haja uma mudança no cenário. "Apesar de dois negócios de grande porte nessa área estarem em andamento, não há sinais de retomada nos mesmos níveis de 2001", afirma. Para ele, o ano mantém a tendência e fechará em taxas negativas.O diretor de marketing da Perdigão, Antonio Zambelli, diz que a instabilidade econômica está deixando o mercado apreensivo e alguns empresas suspenderam investimentos receosos com o rumo da economia. "Os empresários estão como estátuas", afirma.A Naga Indústria e Comércio de Biscoitos e Massas, em Umuarama, no Paraná, está entre os exemplos citados por Zambelli. A direção da companhia deixou temporariamente de lado o projeto de abrir a segunda unidade fabril no Nordeste."O financiamento por parte do BNDES já estava pré-aprovado quando decidimos adiar", afirma o presidente Aguinaldo Ribeiro. Aliás, a empresa entrou em fase de contenção de gastos. Segundo o gerente de marketing da Sadia, Gilberto Xandó, "os empresários estão em compasso de espera e vão aguardar os acontecimentos para tomar decisões".

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